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Do picadeiro popular às tensões da corte
Dirigido por Lee Joon-ik, “O Rei e o Palhaço” (“King and the Clown”) estreou na Coreia do Sul em 29 de dezembro de 2005 e se tornou o terceiro filme sul-coreano a superar a marca de 10 milhões de espectadores. Ambientado no reinado de Yeonsangun, durante a dinastia Joseon, o longa de 119 minutos acompanha os artistas itinerantes Jang-saeng e Gong-gil.
Em busca de um público maior, os dois seguem para Hanyang, atual Seul, onde ganham notoriedade com uma apresentação satírica sobre o rei e sua concubina, Jang Nok-su. Presos por ridicularizar o monarca, os artistas recebem a oportunidade de escapar da punição caso consigam fazê-lo rir. A habilidade de Gong-gil garante a sobrevivência do grupo e sua permanência no palácio.
As encenações, porém, deixam de ser apenas entretenimento. Ao abordar indiretamente a corrupção de autoridades e a morte da rainha deposta Yun, os espetáculos aprofundam os conflitos da corte. Ao mesmo tempo, a afeição demonstrada pelo rei por Gong-gil desperta o ciúme de Jang Nok-su, enquanto ministros conspiram para eliminar os artistas.
Elenco e origem teatral
Kam Woo-sung interpreta Jang-saeng, personagem criado para a história, e Lee Joon-gi vive Gong-gil, palhaço mencionado brevemente nos “Anais da Dinastia Joseon” como alguém favorecido pelo rei. Jung Jin-young assume o papel de Yeonsangun, Kang Sung-yeon interpreta Jang Nok-su, Yoo Hae-jin vive o artista Yuk-gap e Jang Hang-sun aparece como o eunuco Kim Cheo-sun.
O filme é baseado na peça “Yi”, escrita por Kim Tae-woong e apresentada pela primeira vez em 2000. O título original da obra teatral remete a uma expressão usada no período Joseon para designar um súdito mantido próximo e estimado pelo rei.
Bilheteria histórica e prêmios
Segundo o sistema KOBIS, do Conselho Coreano de Cinema, o longa acumulava 10.489.308 espectadores até 26 de março de 2006. Também foi escolhido como representante sul-coreano na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira naquele ano.
Na 43ª edição do Grand Bell Awards, uma das principais premiações do cinema sul-coreano, venceu melhor filme, direção para Lee Joon-ik, ator para Kam Woo-sung, ator coadjuvante para Yoo Hae-jin, ator revelação para Lee Joon-gi, roteiro para Choi Seok-hwan e fotografia para Ji Gil-woong.
Tradição, desejo e controvérsia
Ao combinar artes performáticas tradicionais com relações de afeto e ciúme em torno de um artista homem, “O Rei e o Palhaço” ampliou o interesse por filmes que abordavam homossexualidade e minorias sexuais na Coreia do Sul.
O longa também enfrentou uma disputa judicial. A frase “Eu estou aqui, e você está aí” foi apontada como suposto plágio de um trecho da peça “Kiss”, o que motivou um pedido de liminar para suspender a exibição. A solicitação foi rejeitada tanto na primeira quanto na segunda instância.
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