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Da resistência estudantil ao movimento de mulheres
Park Cha-jeong nasceu em 7 de maio de 1910 em Dongnae, região que hoje integra Busan, no sul da Coreia do Sul. Criada em uma família ligada à resistência contra o domínio colonial japonês, envolveu-se ainda adolescente em organizações juvenis e liderou protestos e greves estudantis na Escola Ilshin para Meninas. Foi presa diversas vezes por suas atividades.
Além da militância, Park expressou sua consciência anticolonial em textos literários. Entre as obras atribuídas a ela estão o conto “Noite em claro”, o poema “Som de sapo” e um ensaio escrito em japonês.
Depois de deixar a escola, assumiu a seção feminina da Associação Juvenil de Dongnae. Em 1927, participou da criação de uma unidade local da Geunuhoe, organização nacionalista de mulheres que reunia diferentes correntes políticas em defesa da independência e da ampliação dos direitos femininos.
Prisão, tortura e exílio na China
Em Seul, então chamada Gyeongseong pelas autoridades coloniais, Park tornou-se dirigente da Geunuhoe e passou a trabalhar nas áreas de propaganda, organização e publicações. Em janeiro de 1930, atuou nos bastidores de manifestações realizadas por estudantes de 11 escolas femininas em apoio ao movimento estudantil de Gwangju.
Acusada de incentivar greves de trabalhadores e novos protestos, foi detida e torturada pela polícia japonesa. Presa na penitenciária de Seodaemun, deixou o local três meses depois por razões de saúde. Diante da repressão recorrente, partiu de navio para a China na primavera de 1930, após receber contato de seu irmão Park Moon-ho, integrante do grupo revolucionário Uiyeoldan.
Na China, Park passou a integrar a direção do Uiyeoldan e de uma organização dedicada à reconstrução do Partido Comunista da Coreia. Estudou na Universidade de Huabei, em Pequim, participou de iniciativas de formação política e usou os nomes Im Cheol-ae e Im Cheol-san durante suas atividades clandestinas.
Educação militar e luta armada
Em Pequim, Park conheceu Kim Won-bong, líder do Uiyeoldan, com quem se casou em 1931. No ano seguinte, mudou-se para Nanjing e tornou-se instrutora da seção feminina da Escola de Formação de Quadros Políticos e Militares da Revolução Coreana. Ali, preparava mulheres para atuar no movimento de independência.
Em 1935, ajudou a criar a Associação de Mulheres Coreanas de Nanjing e assumiu a direção feminina do Partido Revolucionário Nacional. Também participou da formação da Liga da Frente Nacional Coreana, em 1937. Com o início da guerra entre China e Japão, denunciou a expansão militar japonesa por meio de textos e transmissões de rádio, enquanto convocava as mulheres coreanas a se organizar.
Quando a liga criou o Corpo de Voluntários Coreanos, uma força armada conjunta sino-coreana, Park foi nomeada, em 1938, comandante do Corpo Feminino de Serviço, equivalente à unidade de mulheres da organização. Sua atuação não ficou restrita ao ensino e à mobilização: ela também participou diretamente de combates contra as tropas japonesas.
Em 1939, Park foi ferida durante um confronto nas montanhas Kunlun, na província chinesa de Jiangxi. Passou os anos seguintes sofrendo as consequências do ferimento a bala e de uma artrite preexistente. Morreu em Chongqing em 27 de maio de 1944, aos 35 anos.
Reconhecimento tardio
Após sua morte, autoridades ligadas à China e ao Governo Provisório da República da Coreia publicaram homenagens que a apresentavam como combatente antijaponesa. Seus restos mortais foram levados à Coreia em dezembro de 1945, pouco depois do fim da ocupação colonial, e sepultados em Miryang, onde ficava o túmulo da família de Kim Won-bong.
A participação de Park em organizações socialistas e a posterior ida do marido para a Coreia do Norte, onde ele ocupou cargos de alto escalão, contribuíram para que sua trajetória permanecesse por décadas sem pleno reconhecimento no Sul. Em 1995, o governo sul-coreano concedeu-lhe postumamente a Ordem do Mérito da Fundação Nacional, na classe Independência.
Sua casa natal foi reconstruída em Dongnae, e uma estátua foi instalada no distrito de Geumjeong, também em Busan. Da resistência estudantil ao comando de uma unidade militar feminina, Park Cha-jeong tornou-se símbolo da participação das mulheres não apenas na organização política, mas também na luta armada pela independência da Coreia.
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