Solana lidera taxas em retrato do mercado DeFi; corrida por novos tokens exige cautela no Brasil

Solana lidera taxas em retrato do mercado DeFi; corrida por novos tokens exige cautela no Brasil

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Mais atividade, mas não necessariamente mais segurança

A disputa por espaço nas finanças descentralizadas está sendo alimentada por plataformas que facilitam a criação de novos tokens. Um levantamento apresentado pela reportagem sul-coreana, com dados atribuídos à DefiLlama e consulta datada de 11 de setembro de 2026, coloca a Solana na liderança das taxas agregadas por rede. Ao mesmo tempo, mostra avanços expressivos de serviços de lançamento de criptoativos e uma aceleração proporcionalmente maior da atividade na Arbitrum.

Os números ajudam a identificar onde os usuários estão pagando para operar, mas não permitem concluir quais projetos são investimentos melhores. Essa distinção é especialmente importante para o leitor brasileiro acostumado a encontrar, nas redes sociais, rankings de criptomoedas acompanhados de promessas de valorização. Uma plataforma pode arrecadar mais porque houve intensa especulação durante poucos dias, sem que isso represente crescimento duradouro ou proteção para quem colocou dinheiro nela.

O retrato também revela uma separação fundamental: movimentar um ecossistema, cobrar taxas e reter receita são coisas diferentes. Para entender a disputa entre redes e aplicativos, é necessário olhar além das porcentagens de crescimento. Os valores a seguir reproduzem o levantamento descrito pela fonte sul-coreana; não representam uma consulta independente, em tempo real, às plataformas.

O que está sendo medido — e por que isso muda a leitura

DeFi é a sigla em inglês para finanças descentralizadas. O termo reúne serviços que utilizam programas executados em blockchains, os chamados contratos inteligentes, para realizar operações como trocas de ativos, empréstimos e depósitos em mecanismos de liquidez. Em vez de uma única instituição controlar todas as etapas, parte das regras fica registrada em código. Isso não elimina intermediários, responsáveis pelo desenvolvimento ou riscos operacionais.

Na metodologia apresentada, taxas correspondem ao total pago pelos usuários. Receita é a parcela desse dinheiro destinada ao protocolo e aos detentores de seus tokens, conforme o modelo de cada serviço. Uma comparação possível no Brasil é a diferença entre o valor cobrado por uma operação e a parte efetivamente retida pela empresa que a organiza. Os conceitos não são idênticos aos de um balanço empresarial, mas a analogia ajuda a evitar confusões.

Também não se deve tratar receita como lucro líquido. O levantamento não apresenta uma demonstração completa de custos, despesas ou obrigações. Da mesma forma, taxas elevadas não equivalem ao volume financeiro negociado: representam o custo cobrado sobre determinadas atividades, não todo o dinheiro que passou por elas.

Essa separação aparece com clareza na Uniswap V4, uma plataforma de negociação descentralizada associada, no recorte, a Ethereum e Unichain. Ela registra US$ 46,3 milhões em taxas semanais, alta de 24%, mas receita de zero na classificação utilizada. Isso não significa ausência de atividade econômica. Significa que a categoria de receita do protocolo não capturou uma parcela daqueles pagamentos naquele período.

Emissoras de stablecoins e plataformas de lançamento dividem o topo

A Tether aparece na primeira posição do ranking semanal, com US$ 96,9 milhões tanto em taxas quanto em receita, apesar de uma queda de 14% nas taxas em relação à semana anterior. A Circle USDC registra US$ 39,7 milhões nas duas medidas, com recuo de 13%. Ambas estão ligadas ao mercado de stablecoins, criptoativos projetados para acompanhar uma referência, geralmente uma moeda como o dólar.

Esses registros exigem cuidado na comparação com aplicativos de negociação. O levantamento inclui valores classificados fora das blockchains, identificados como off-chain. Portanto, seria incorreto interpretar tudo como tarifas de transferências digitais pagas diretamente pelos usuários. Essa diferença explica também por que os registros externos das emissoras são retirados da comparação posterior entre redes.

Entre as plataformas de lançamento de tokens, a Pons V2, associada à Robinhood Chain na fonte, apresenta US$ 56,3 milhões em taxas, alta semanal de 86%, e US$ 10 milhões em receita. A Flap sh, vinculada a BSC e X Layer, soma US$ 14,6 milhões em taxas e US$ 3,2 milhões em receita. Seu avanço de 102% é o maior entre os dez integrantes do ranking principal.

O grupo reúne modelos distintos. A PumpSwap, na Solana, registra US$ 22,1 milhões em taxas, enquanto a Hyperliquid Perps, voltada a derivativos, aparece com US$ 14,3 milhões. A diversidade impede uma leitura simplista: serviços de lançamento, negociação e outros produtos podem cobrar e distribuir recursos de maneiras bastante diferentes.

A corrida dos launchpads e o efeito da base pequena

Launchpads são plataformas que ajudam a emitir tokens e a organizar suas primeiras negociações. Para quem acompanha o mercado brasileiro, é importante não confundir esse mecanismo com uma oferta pública de ações na B3. Criar um token por meio de um aplicativo não significa que exista uma empresa com demonstrações financeiras auditadas, direitos equivalentes aos de um acionista ou análise regulatória comparável à de uma abertura de capital.

Na lista de projetos em aceleração, a StonkFun, da Solana, apresenta o maior valor de taxas na semana mais recente: US$ 5,1 milhões, ante US$ 313 mil nos sete dias anteriores. O montante foi multiplicado por 16,3. Outros launchpads da mesma rede também avançaram. A BONK.fun Launchpad chegou a US$ 1,2 milhão, multiplicação de 34,7 vezes, e a LaunchLab alcançou US$ 887 mil, com fator de 129,6.

A diferença entre liderança em valor e liderança em crescimento é decisiva. Um projeto pequeno pode multiplicar sua arrecadação dezenas de vezes e continuar abaixo de outro que cresceu menos. A HumidiFi, uma plataforma de negociação descentralizada na Solana, ilustra esse efeito: registra US$ 333 mil em taxas recentes e crescimento de 147,4 vezes, segundo o levantamento.

A seleção exige pelo menos US$ 200 mil em taxas nos sete dias mais recentes e aumento superior a 50% diante da semana anterior. O piso reduz a presença de saltos percentuais produzidos por valores muito baixos, mas não elimina oscilações extremas. Além disso, os montantes apresentados estão arredondados; por isso, uma divisão feita apenas com os valores publicados pode não reproduzir exatamente os multiplicadores informados.

Novos registros não provam que os serviços acabaram de nascer

O avanço não se limita à emissão de tokens. A OKX Swap aparece com US$ 901 mil em taxas, após um registro de zero no período anterior. O serviço é classificado como agregador de corretoras descentralizadas em Mantle e Blast: uma ferramenta que reúne alternativas de negociação, em vez de depender exclusivamente de um único ambiente de troca.

A Pyth Pro, na Solana, registra US$ 723 mil e pertence à categoria de oráculos. No vocabulário das blockchains, oráculos são mecanismos que fornecem informações externas aos contratos inteligentes, como preços de ativos. Eles cumprem uma função de infraestrutura: um programa financeiro precisa de referências confiáveis para executar determinadas regras.

A Pez Family, classificada como launchpad na Robinhood Chain, surge com US$ 311 mil. Nos três casos, a passagem de zero para um valor positivo permite identificar uma nova entrada no recorte, mas não calcular uma taxa convencional de crescimento percentual. Tampouco comprova, isoladamente, que a operação começou naquela semana. Para diferenciar estreia comercial, início de cobrança e mudança de cobertura estatística, seriam necessárias informações adicionais.

Solana ganha em escala; Arbitrum, em aceleração recente

Quando as taxas dos projetos são distribuídas pelas redes em que ocorreram, excluindo os registros externos das emissoras de stablecoins, a Solana fica à frente. O levantamento atribui à rede US$ 16,6 milhões em 24 horas e US$ 406,4 milhões em 30 dias. Ethereum aparece com US$ 15,1 milhões no dia e US$ 327 milhões no mês, seguida pela Robinhood Chain, com US$ 13,6 milhões e US$ 311,4 milhões, respectivamente.

Esses valores agregam taxas de projetos por rede. Não devem ser confundidos automaticamente com o dinheiro pago apenas para executar transações na infraestrutura básica da blockchain, conhecido como taxa de rede ou gas. A distinção importa porque aplicativos podem cobrar pelo próprio serviço, além do custo necessário para registrar uma operação.

A Arbitrum apresenta uma escala menor, com US$ 1,8 milhão em 24 horas e US$ 17,9 milhões em 30 dias, mas lidera o indicador de concentração recente, com três vezes a média diária mensal. A conta compara as taxas de um dia com a média de arrecadação por dia ao longo de 30 dias. Na Solana, o fator é de 1,2; em Ethereum, de 1,4.

Isso sugere atividade relativamente mais intensa na Arbitrum no dia observado, não superioridade em tamanho. Também não indica entrada líquida de recursos. Um mesmo capital pode circular repetidamente, gerar negociações e produzir taxas sem que exista um ingresso equivalente de dinheiro novo. Para avaliar expansão sustentada, seria necessário acompanhar outras semanas e indicadores complementares.

O que esse movimento significa para o Brasil

Para o público brasileiro que utiliza ou acompanha criptoativos, a principal implicação é aprender a separar atividade econômica de argumento publicitário. Um ranking global pode aparecer em conteúdos em português como justificativa para comprar determinado token. Os dados apresentados, porém, não informam a participação de brasileiros, não identificam empresas nacionais beneficiadas e não demonstram qualquer fluxo específico de recursos entre Brasil e Coreia do Sul.

A conexão com o Brasil está, portanto, na forma de interpretar produtos acessíveis por interfaces digitais e informações que circulam internacionalmente. Diferentemente de uma comparação entre aplicações bancárias com condições contratadas, o salto de taxas de um launchpad descreve o comportamento recente de seus usuários. Não oferece ao comprador de um token uma remuneração previsível, nem comprova que esse token dê direito a receber a receita registrada.

Há ainda a dimensão cambial. Para alguém que organiza o orçamento em reais, resultados expressos em dólares não contam toda a história. O valor final em moeda brasileira depende também da cotação no momento da entrada e da saída, além de custos de conversão e negociação. Mesmo uma stablecoin vinculada ao dólar não é uma aplicação de valor estável em reais e conserva riscos próprios de emissão, custódia e manutenção da paridade.

Outra referência útil é o Fundo Garantidor de Créditos. Depositar recursos em um protocolo DeFi não equivale a contratar um produto bancário elegível à proteção do FGC. A ausência dessa equivalência precisa ficar clara antes de comparar percentuais com CDBs ou outras aplicações conhecidas. Para empresas e produtores de conteúdo brasileiros que explicam esse mercado, contextualizar os números é mais relevante do que simplesmente reproduzir os maiores rendimentos.

Rendimento de 217% ao ano não é promessa de retorno

O levantamento inclui uma lista separada de pools, conjuntos de ativos depositados para permitir operações financeiras. Entre os que possuem pelo menos US$ 10 milhões depositados, o par WSOL-USDC da raydium-amm, na Solana, exibe taxa anualizada de 217,57%, com média de 89,50% em 30 dias e US$ 25,8 milhões depositados. A distância entre a taxa do momento e a média mensal já mostra como as condições podem variar.

WSOL é uma representação do ativo SOL utilizada em determinadas operações, enquanto USDC é uma stablecoin vinculada ao dólar. Fornecer os dois ativos a um pool não se resume a emprestar dinheiro por uma taxa fixa. O resultado pode depender das negociações, das regras do protocolo e da mudança de preço relativo entre os componentes. Existe ainda o risco de terminar com um resultado inferior ao de simplesmente manter os ativos fora do pool.

Em Ethereum, o par WETH-USDT da Uniswap V3 registra taxa anualizada de 38,75%, média de 42,21% em 30 dias e US$ 109 milhões depositados. Esses percentuais descrevem condições de remuneração dos depositantes, não a receita dos protocolos. Anualizar uma condição observada significa expressá-la em escala de um ano; não demonstra que ela permanecerá disponível durante esse prazo.

A simulação de custos da fonte considera apenas um depósito e uma retirada, totalizando 400 mil unidades de gas, com manutenção por um ano e sem reaplicações. Na cotação de gas de Ethereum utilizada, o custo estimado de ida e volta é de US$ 0,11. Trata-se de uma hipótese pontual, não de uma tarifa assegurada. A Solana ficou fora desse cálculo por utilizar um modelo diferente daquele empregado nas redes compatíveis com a máquina virtual de Ethereum.

O teste seguinte é a persistência, não o recorde

O sinal mais relevante do recorte é a força dos serviços de criação e negociação de tokens na geração de taxas. A Solana reúne escala e vários projetos em rápida expansão, enquanto a Arbitrum apresenta aceleração mais concentrada no período recente. Ainda assim, uma semana não basta para estabelecer uma mudança estrutural no mercado.

Os próximos pontos de atenção são a permanência dessas receitas, a evolução da atividade após o entusiasmo inicial e a parcela das taxas efetivamente retida por cada serviço. Também importa verificar se os incentivos atraem uso recorrente ou apenas operações passageiras. Para o leitor brasileiro, a conclusão prática é simples: números expressivos ajudam a formular perguntas, mas não substituem a análise de riscos. O levantamento é um retrato de atividade, não um selo de segurança nem uma recomendação de investimento.

Source: Original Korean article - Trendy News Korea

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