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Doze navios contra uma frota de 330
Lançado na Coreia do Sul em 30 de julho de 2014, “The Admiral: Roaring Currents” (“Myeongnyang”, no título original) transformou uma batalha histórica em um dos maiores fenômenos de bilheteria do país. Dirigido por Kim Han-min, o longa de ação acompanha o almirante Yi Sun-sin durante a invasão japonesa de 1597, quando ele reassume o comando naval da dinastia Joseon.
Após uma derrota devastadora, Yi encontra soldados sem disposição para lutar e uma população dominada pelo medo. Restam apenas 12 embarcações para enfrentar 330 navios japoneses que avançam em direção ao estreito de Myeongnyang. Antes de mostrar o desfecho do confronto, o filme se concentra na tentativa do comandante de controlar o pânico de seus homens e responder à enorme desvantagem militar.
Choi Min-sik interpreta Yi Sun-sin, enquanto Ryu Seung-ryong vive o comandante japonês Kurushima e Cho Jin-woong assume o papel de Wakizaka. O elenco também inclui Kim Myung-gon, Jin Goo, Lee Jung-hyun, Kwon Yul e No Min-woo. Produzido pela Big Stone Pictures e distribuído pela CJ ENM, o filme tem 128 minutos e classificação indicativa sul-coreana para maiores de 15 anos.
Um recorde construído em poucos dias
O longa superou a marca de 10 milhões de espectadores apenas 12 dias depois da estreia. Tornou-se, naquele momento, o 12º filme a alcançar esse patamar na Coreia do Sul e o nono entre as produções nacionais.
No 18º dia em cartaz, já acumulava mais de 13,98 milhões de ingressos vendidos, ultrapassando os 13,33 milhões registrados por “Avatar” e assumindo a liderança histórica das bilheterias sul-coreanas naquele período. Segundo o sistema KOBIS, do Conselho de Cinema da Coreia, o público acumulado chegou a 17.597.914 pessoas até 28 de setembro de 2014.
A velocidade também marcou a campanha: foram 2 milhões de espectadores em três dias, 4 milhões em cinco, 6 milhões em sete e 9 milhões em 11 dias. O desempenho foi acompanhado por prêmios importantes. A produção venceu categorias como melhor filme, direção de arte e fotografia no Buil Film Awards, além de melhor filme e melhor ator para Choi Min-sik no Grand Bell Awards. Kim Han-min recebeu o prêmio de direção no Blue Dragon Film Awards, e Choi conquistou ainda o grande prêmio de cinema do Baeksang Arts Awards em 2015.
Uma hora de combate no mar
O centro do filme é uma sequência de batalha naval com cerca de uma hora de duração. Antes do confronto, a narrativa acompanha os conflitos internos da Marinha de Joseon, os preparativos de um navio-tartaruga e os movimentos das forças japonesas. Quando a luta começa, bombardeios, combates corpo a corpo, colisões entre embarcações e as fortes correntes de Myeongnyang dividem o mesmo espaço.
A intensidade dessa sequência e a atuação de Choi Min-sik concentraram boa parte dos elogios. Críticos destacaram a capacidade do ator de alternar diferentes níveis de tensão emocional, assim como a organização de numerosos personagens dentro da batalha. As ressalvas apontaram para o desenvolvimento limitado dos conflitos entre Yi e outros comandantes, além da pouca explicação sobre a confiança depositada nele por oficiais e soldados.
Heroísmo, população e controvérsia
Embora Yi Sun-sin seja o protagonista, o filme também apresenta soldados e civis como participantes decisivos da guerra. A ênfase em lealdade, dever familiar e proteção da população foi vista tanto como fonte de emoção quanto como uma abordagem excessivamente didática.
O sucesso comercial também provocou debates fora da tela. Choi Min-sik lamentou que a repercussão estivesse excessivamente concentrada nos números de público e defendeu uma discussão mais ampla sobre a obra. A distribuição, por sua vez, foi acusada de dominar o circuito: o filme teria ocupado entre 1.500 e 1.600 das 2.584 telas existentes no país, alimentando críticas sobre concentração e falta de espaço para outros lançamentos.
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