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Dois personagens à margem
Dirigido e escrito por Lee Chang-dong, “Oasis” acompanha a relação entre Hong Jong-du, um homem recém-saído da prisão, e Han Gong-ju, uma mulher com paralisia cerebral abandonada à própria sorte pela família. Lançado na Coreia do Sul em 14 de agosto de 2002, o drama tem 132 minutos e classificação para maiores de 18 anos.
Sol Kyung-gu interpreta Jong-du, enquanto Moon So-ri vive Gong-ju. O elenco também reúne Ahn Nae-sang, Ryoo Seung-wan e Son Byung-ho. Produzido por East Film e CJ Entertainment, o longa marcou o reencontro dos dois protagonistas após “Peppermint Candy”, trabalho anterior de Lee Chang-dong.
Uma aproximação marcada pelo desconforto
Jong-du deixa a prisão depois de cumprir dois anos e meio por um atropelamento com fuga e morte. Ao sair, descobre que a família mudou de endereço sem avisá-lo. Quando visita a casa da vítima do acidente, conhece Gong-ju, que também vive isolada: seus parentes usam o nome dela para obter uma moradia destinada a pessoas com deficiência, mas a deixam em outro imóvel, sob os cuidados de uma vizinha.
A relação começa com uma abordagem unilateral e invasiva de Jong-du. Mais tarde, Gong-ju entra em contato com ele, e os encontros continuam. Os dois passam a fazer refeições juntos, andar de carro e conhecer espaços fora de suas rotinas, mas enfrentam rejeição em restaurantes e reuniões familiares. O filme contrapõe essa convivência às atitudes de parentes e desconhecidos, que frequentemente recusam aos dois qualquer autonomia.
Em uma festa de aniversário, vem à tona que o irmão de Jong-du era o verdadeiro responsável pelo atropelamento e que a família aceitou que ele assumisse a culpa. Depois, parentes de Gong-ju encontram o casal junto e Jong-du é levado pela polícia sob acusação de estupro. Abalada, ela não consegue desfazer o mal-entendido, e sua tentativa de se expressar é ignorada tanto pela família quanto pelas autoridades.
Jong-du foge da delegacia para cumprir uma promessa feita a Gong-ju: cortar os galhos da árvore cuja sombra a assustava através da janela. Ele é preso novamente. No desfecho, Gong-ju limpa o quarto sozinha enquanto a voz de Jong-du lê uma carta na qual promete voltar depois de deixar a prisão.
Entre realidade e fantasia
Lee Chang-dong intercala a realidade física de Gong-ju com cenas imaginadas nas quais ela caminha, canta e brinca livremente. O recurso amplia a perspectiva da personagem e contrasta com a forma limitada e utilitária pela qual as pessoas ao redor costumam enxergá-la.
O tratamento dado às famílias está no centro do drama. Jong-du é visto pelos parentes como alguém incapaz de se adaptar à sociedade. Gong-ju, por sua vez, tem o nome usado para benefício dos familiares, enquanto a vizinha paga para cuidar dela também ocupa seu espaço de forma privada.
Reconhecimento em Veneza
“Oasis” disputou a competição de longas do 59º Festival de Veneza, em 2002. Lee Chang-dong recebeu o Leão de Prata de melhor direção, e Moon So-ri conquistou o prêmio Marcello Mastroianni, destinado a novos atores. O filme também venceu no festival os prêmios da Federação Internacional de Críticos de Cinema, da associação da imprensa católica e dos jovens críticos.
A trajetória internacional continuou com prêmios em festivais de Brisbane, Sevilha, Palm Springs e Seattle. Neste último, Sol Kyung-gu e Moon So-ri foram reconhecidos como melhor ator e melhor atriz. “Oasis” também foi escolhido para representar a Coreia do Sul na disputa por uma vaga no Oscar de filme estrangeiro.
Na Coreia, a produção acumulou troféus em eventos como o Chunsa Film Art Awards, o Blue Dragon Film Awards, o Korean Film Awards e o Baeksang Arts Awards. Apesar do amplo reconhecimento, não recebeu indicações na 40ª edição do Grand Bell Awards, uma das principais premiações do cinema sul-coreano.
A força das atuações
O crítico americano Roger Ebert deu ao longa três de quatro estrelas e o definiu como um “filme corajoso” sobre duas pessoas isoladas da família e da sociedade que descobrem a possibilidade de uma relação difícil. G. Allen Johnson, do jornal “San Francisco Chronicle”, classificou a atuação de Moon So-ri como impecável e apontou o apelo humanista de Lee Chang-dong em favor da tolerância.
No agregador Rotten Tomatoes, “Oasis” alcançou 90% de avaliações positivas, com base em 30 críticas. O consenso do site atribui boa parte da força dolorosa do filme à atuação de Moon So-ri. No Metacritic, a obra obteve 79 pontos em 100, a partir de 14 análises.
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