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Uma trajetória contada em sentido inverso
Segundo longa-metragem do diretor Lee Chang-dong, Peppermint Candy foi exibido como filme de abertura do Festival Internacional de Cinema de Busan em 14 de outubro de 1999 e chegou aos cinemas sul-coreanos em 1º de janeiro de 2000. Com 130 minutos e classificação para maiores de 18 anos na Coreia do Sul, o drama tem Sol Kyung-gu como Kim Young-ho, Moon So-ri como Yoon Sun-im e Kim Yeo-jin como Yang Hong-ja.
A história começa na primavera de 1999, quando Young-ho, aos 40 anos, retorna ao lugar onde havia participado de um piquenique com Sun-im, seu primeiro amor. Depois de perder o trabalho e a família, ele sobe nos trilhos e grita que quer voltar. A partir daí, o filme recua por sete períodos: três dias antes, 1994, 1987, 1984, maio de 1980 e, por fim, 1979.
Do colapso à juventude
Três dias antes da cena nos trilhos, Young-ho visita Sun-im, então em coma, e chora segurando balas de hortelã. Ele também vende por 40 mil wones uma câmera deixada por ela. Em 1994, aparece como dono de uma loja de móveis, em meio ao desmoronamento do casamento com Hong-ja. Ao encontrar uma pessoa que havia torturado quando era policial, murmura que “a vida é bela”.
Em 1987, Young-ho trabalha como investigador e tem a esposa grávida, mas desaba ao chamar pelo nome de Sun-im. O episódio de 1984 mostra sua transformação como policial novato, cercado pela violência dos colegas e pela própria brutalidade. Nesse período, ele rejeita Sun-im e escolhe Hong-ja, que era apaixonada por ele.
Em maio de 1980, Young-ho é um recruta enviado às pressas com sua unidade. Do caminhão militar, vê Sun-im voltando depois de tentar visitá-lo e, naquela noite, enfrenta uma situação de tensão nas proximidades da estação de Gwangju. Já em 1979, os dois aparecem aos 20 anos, durante um piquenique com integrantes de uma escola noturna ligada ao complexo industrial de Guro. Ao provar as balas oferecidas por Sun-im, ele diz que são as melhores do mundo.
A história recente da Coreia refletida em uma vida
Ao reconstruir o passado de Young-ho, o filme sobrepõe sua vida amorosa e profissional à história contemporânea sul-coreana. O percurso passa pelo ambiente operário de Guro em 1979, pelo serviço militar em Gwangju em maio de 1980, pelos anos como policial em 1984 e 1987, pela atividade empresarial em 1994 e pelo colapso pessoal de 1999. O piquenique que marca o início cronológico da narrativa aparece apenas no encerramento.
A cena em que Young-ho grita que deseja voltar foi filmada perto da estação de Samtan, em áreas das cidades de Jecheon e Chungju, na província de Chungcheong do Norte.
Reconhecimento internacional e na Coreia do Sul
Peppermint Candy foi convidado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes em 2000. No mesmo ano, Sol Kyung-gu recebeu uma menção especial no Festival de Cinema de Oslo. No Festival Internacional de Karlovy Vary, Lee Chang-dong conquistou o prêmio especial do júri para longas, enquanto o filme recebeu prêmios da Federação Internacional de Cineclubes e de promoção do cinema asiático. No Festival de Bratislava, Lee venceu como diretor e Sol como ator.
Na Coreia do Sul, o longa acumulou prêmios de melhor filme, direção, roteiro, atuação e categorias técnicas em cerimônias como Chunsa, Associação Coreana de Críticos de Cinema, Golden Cinematography Awards, Baeksang Arts Awards, Grand Bell Awards e Blue Dragon Film Awards. Sol Kyung-gu recebeu dez prêmios por sua atuação no filme.
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