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Acordo prevê entregas em etapas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 9 de outubro um acordo com o governo de Vladimir Putin para ampliar rapidamente a oferta de diesel russo nos mercados americano e internacional. A medida ocorre a poucas semanas das eleições legislativas de 3 de novembro de 2026, quando estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado.
Segundo Trump, a Rússia fornecerá imediatamente mais de 300 mil toneladas do combustível, outras 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas logo depois. O presidente afirmou ainda que Moscou poderá disponibilizar mais 3 milhões de toneladas em um prazo curto, de acordo com as condições de suas refinarias. O governo russo confirmou o entendimento.
Para viabilizar as operações, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro americano anunciou uma licença temporária que autoriza a venda, o transporte, o desembarque e a importação de diesel russo. A permissão ficará em vigor até 7 de abril do próximo ano.
Preço do combustível entra na campanha
Trump apresentou a redução do preço do diesel como principal objetivo do acordo. Ele afirmou que o fornecimento russo, combinado ao controle americano sobre o Estreito de Ormuz, fará as cotações internacionais recuarem rapidamente. Segundo o presidente, baratear o combustível para agricultores, pecuaristas e caminhoneiros é uma prioridade.
A iniciativa busca responder à pressão dos preços de energia sobre o eleitorado, sobretudo entre produtores rurais do Meio-Oeste, diretamente afetados pelo custo do diesel usado em máquinas agrícolas. A porta-voz da Casa Branca, Katie Zachaira, declarou que o acordo também deverá tornar a gasolina e os alimentos mais baratos.
O impacto inicial, porém, pode ser limitado. As 800 mil toneladas previstas até o fim de novembro equivalem a cerca de 6 milhões de barris, volume suficiente para atender apenas aproximadamente um dia e meio da demanda americana por diesel.
Ucrânia e União Europeia criticam aproximação
O anúncio provocou reação da Ucrânia e da União Europeia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o acordo como um presente a Putin e afirmou que a medida não contribuirá para a paz. A declaração ocorreu pouco depois do aniversário de 74 anos do líder russo.
Trump respondeu aumentando a pressão sobre Kiev. Em 10 de outubro, defendeu que a Ucrânia realize eleições e chegou a mencionar a possibilidade de substituição de Zelensky.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que a suspensão das restrições ao diesel russo dará a Moscou mais receitas para financiar a guerra. Segundo ela, a Europa não pretende reduzir a pressão sobre a Rússia.
Também houve críticas entre democratas e republicanos nos Estados Unidos. Desde março de 2022, após a invasão da Ucrânia, o governo americano bloqueava a importação de petróleo e derivados russos.
Trump associa economia, política externa e investimentos
Em um comício republicano em Clarksville, no Tennessee, Trump advertiu que uma vitória democrata levaria o país a uma crise comparável à Grande Depressão de 1929. O presidente pediu votos para o Partido Republicano, que chega à eleição controlando as duas Casas do Congresso. A votação antecipada no estado começa em 14 de outubro.
No mesmo evento, Trump citou como resultado de sua política tarifária o investimento da empresa sul-coreana Korea Zinc. Segundo ele, o grupo pretende aplicar mais de US$ 6 bilhões e criar 740 empregos nos condados de Montgomery e Smith com uma nova fundição de minerais, a primeira do tipo construída nos Estados Unidos desde 1979. O projeto integrado, chamado Crucible, tem investimento total estimado em cerca de US$ 7,4 bilhões.
A política externa também passou ao centro da campanha. Em 8 de outubro, Trump afirmou que as conversas com o Irã estavam avançando de forma produtiva e prometeu não atacar o país antes das eleições legislativas. Ao mesmo tempo, disse que manteria as medidas de bloqueio contra Teerã e declarou que um volume recorde de petróleo atravessava o Estreito de Ormuz.
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