Coreia do Sul convoca diplomata ucraniano após Zelensky revelar transferência de soldados norte-coreanos

Declaração na ONU abre crise diplomática

O governo da Coreia do Sul convocou em 28 de setembro o encarregado de negócios da Ucrânia em Seul, Andrii Veshkin, para protestar contra a divulgação da transferência de dois soldados norte-coreanos capturados pelas forças ucranianas. O episódio provocou uma troca pública de acusações entre os dois países e colocou novamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, entre os assuntos mais buscados na internet sul-coreana.

A controvérsia começou em 23 de setembro, quando Zelensky afirmou, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que os dois militares da Coreia do Norte haviam sido enviados recentemente à Coreia do Sul. No dia seguinte, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, declarou na rede X que a Ucrânia havia descumprido um compromisso de confidencialidade.

A Presidência ucraniana respondeu que não existia tal acordo. Seul contestou essa versão: segundo o chefe de comunicação presidencial, Sung Ki-hong, a própria Ucrânia havia solicitado inicialmente que o caso não fosse divulgado, condição posteriormente aceita pelos dois governos. Um interlocutor ouvido sob anonimato afirmou que as conversas realizadas durante as negociações sobre a transferência ficaram registradas.

Seul exige explicação e pedido de desculpas

Durante a reunião com Veshkin, o vice-ministro das Relações Exteriores Park Yoon-joo afirmou que a Ucrânia anunciou a operação na ONU sem aviso prévio nem coordenação de trabalho com o governo sul-coreano. Seul também manifestou “profundo pesar” pela negativa pública de Kiev sobre a existência do compromisso.

Park disse que a divulgação unilateral e a contestação do acordo prejudicam seriamente a confiança entre os governos e podem afetar as relações bilaterais. A Coreia do Sul exigiu uma explicação oficial, um pedido de desculpas e medidas para evitar a repetição do episódio. O diplomata ucraniano respondeu que transmitiria a posição a Kiev.

Apesar do atrito, o chanceler sul-coreano, Cho Hyun, havia afirmado anteriormente, em reunião com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, que Seul continuaria oferecendo o apoio necessário à população ucraniana.

Desinformação amplia o conflito

A divergência também passou a ser explorada por veículos russos e pró-Rússia. Uma imagem produzida por inteligência artificial, na qual Lee aparece dando um tapa em Zelensky, foi difundida nas redes. Esses meios ainda atribuíram ao presidente sul-coreano uma declaração em que ele supostamente chamaria Zelensky de “assassino”, alterando o contexto original de suas palavras.

Entre as possíveis razões discutidas na Coreia do Sul para a revelação feita pelo líder ucraniano estão a tentativa de ampliar o apoio internacional à Ucrânia, destacar a ameaça representada pela participação norte-coreana na guerra e incentivar Seul a fornecer sistemas de defesa aérea. Também se menciona o interesse em evitar críticas internas pela eventual ausência de uma troca de prisioneiros. Essas interpretações, porém, não foram apresentadas como explicação oficial de Kiev.

Repercussão cresce na mídia sul-coreana

Zelensky, ex-comediante e ator que interpretou um presidente na série “Servo do Povo”, ocupa a Presidência da Ucrânia desde maio de 2019. A combinação entre sua declaração na ONU, as versões contraditórias dos dois governos e a convocação do diplomata ucraniano impulsionou as buscas por seu nome.

Vídeos sobre o caso também tiveram forte audiência. Até 28 de setembro, duas reportagens do canal sul-coreano Channel A acumulavam cerca de 691 mil e 662 mil visualizações. Conteúdos da MBC News, Yonhap News TV e SBS registravam, respectivamente, aproximadamente 549 mil, 512 mil e 499 mil acessos.

Source: Original Korean article - Trendy News Korea

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