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Um rei, um sósia e 15 dias imaginados pela ficção
Lançado na Coreia do Sul em 13 de setembro de 2012, “Gwanghae, o Homem que se Tornou Rei”, conhecido internacionalmente como “Masquerade”, tornou-se um dos grandes fenômenos do cinema sul-coreano. Dirigido por Choo Chang-min, o drama histórico ultrapassou a marca de 10 milhões de espectadores apenas 38 dias depois da estreia — o sétimo filme nacional a alcançar esse patamar até então.
Com 131 minutos de duração e classificação indicativa sul-coreana para maiores de 15 anos, o longa foi produzido pela Realies Pictures e pela CJ ENM, também responsável pela distribuição. Segundo os dados acumulados até 16 de dezembro de 2012 pelo sistema do Conselho Coreano de Cinema, a produção vendeu 12.274.154 ingressos.
A trama se passa no oitavo ano do reinado de Gwanghae, em meio a disputas políticas e conflitos entre facções da corte. Temendo ser assassinado, o monarca ordena ao secretário real Heo Gyun que encontre alguém capaz de substituí-lo. A busca leva a Ha-sun, um artista popular que se apresenta em casas de entretenimento e tem uma aparência idêntica à do rei.
Levado ao palácio, Ha-sun aprende a imitar Gwanghae. Quando o soberano perde a consciência, o sósia precisa ocupar o trono durante o período de tratamento. A troca de identidades sustenta o conflito entre as exigências do poder e a perspectiva de um homem comum colocado no centro da monarquia.
Lee Byung-hun em papel duplo
Lee Byung-hun interpreta tanto o rei Gwanghae quanto o artista Ha-sun, em seu primeiro filme de época. O elenco também reúne Ryu Seung-ryong como Heo Gyun, Han Hyo-joo no papel da rainha, Jang Gwang como o eunuco-chefe, Kim In-kwon como o capitão da guarda e Shim Eun-kyung como Sa-wol. Kim Myung-gon e Park Ji-a completam o grupo principal.
O projeto passou por mudanças antes das filmagens no complexo cinematográfico de Namyangju, na província de Gyeonggi. Anunciado inicialmente em 2011 com o título “Eu Sou o Rei de Joseon”, teria direção de Kang Woo-suk e Jeong Jae-young nos papéis de Gwanghae e Ha-sun. Yoo Jun-sang interpretaria Heo Gyun. Kang deixou a produção após divergências com a CJ ENM, e Choo Chang-min e Lee Byung-hun entraram no projeto em novembro daquele ano. Han Hyo-joo foi anunciada no mês seguinte.
Vitória histórica no principal prêmio do cinema coreano
Além do desempenho comercial, “Masquerade” dominou a 49ª edição do Grand Bell Awards, uma das premiações mais tradicionais do cinema sul-coreano. O filme conquistou 15 troféus, entre eles melhor filme, direção para Choo Chang-min, roteiro para Hwang Jo-yoon, ator para Lee Byung-hun e ator coadjuvante para Ryu Seung-ryong.
A produção também venceu nas categorias de planejamento, direção de arte, efeitos visuais, música, som, figurino, iluminação, fotografia e montagem, além do prêmio de popularidade. Entre os profissionais reconhecidos estavam Im Sang-jin, Oh Heung-seok, Jung Jae-hoon, Kim Jun-seong, Mowg, Lee Sang-jun, Lim Seung-hee, Kwon Yoo-jin, Oh Seung-chul, Lee Tae-yoon e Nam Na-young.
Naquele mesmo ano, Oh Heung-seok recebeu o prêmio de direção de arte no Blue Dragon Film Awards e o de realização técnica na Associação Coreana de Críticos de Cinema. Lee Byung-hun foi eleito melhor ator pela Associação de Críticos de Cinema de Busan. Em 2013, o longa venceu como melhor filme no Baeksang Arts Awards, que também premiou Choo Chang-min pela direção.
História real como ponto de partida
Gwanghae foi o 15º rei da dinastia Joseon e governou de 1608 a 1623. Em um período de tensões envolvendo as dinastias Ming e Qing, tentou adotar uma diplomacia de neutralidade e promoveu medidas de reconstrução do Estado e recuperação de documentos. Acabou deposto por uma facção política, foi exilado na ilha de Jeju e não recebeu um nome póstumo de templo como outros monarcas, entre eles Taejo e Sejong.
O roteiro imagina o que teria ocorrido durante 15 dias ausentes dos registros do Secretariado Real. A premissa, porém, é uma construção dramática, não um fato histórico comprovado. Os documentos da época sofreram perdas e tentativas incompletas de restauração, deixando lacunas importantes. Além disso, mesmo uma ordem real para impedir anotações provavelmente seria registrada pelos cronistas, de acordo com os princípios adotados por esses funcionários.
Do cinema ao teatro e à televisão
A semelhança da premissa com o filme americano “Dave”, de 1993, estrelado por Kevin Kline e Sigourney Weaver, provocou acusações de plágio. Ainda assim, a história ganhou novas versões na Coreia do Sul. Uma adaptação teatral ficou em cartaz no Centro de Artes Dongsoong, em Seul, entre fevereiro e abril de 2013, com Bae Soo-bin e Kim Do-hyun alternando-se no papel de Gwanghae.
A emissora tvN adquiriu os direitos para televisão e lançou, em janeiro de 2019, uma série protagonizada por Yeo Jin-goo. A ideia de um homem comum assumir o lugar do rei também apareceu em “Daechwita”, música lançada em 2020 pelo rapper Agust D.
Mais de uma década após a estreia, “Masquerade” permanece marcado pela atuação dupla de Lee Byung-hun, pela bilheteria de 12,2 milhões de espectadores e pela conquista de 15 prêmios no Grand Bell Awards. Seu ponto central continua sendo o contraste entre o reinado documentado de Gwanghae e os 15 dias criados pela ficção.
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