Mídia estatal chinesa defende estabilidade com os EUA antes de encontro entre Xi e Trump

Mídia estatal chinesa defende estabilidade com os EUA antes de encontro entre Xi e Trump

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Veículos estatais chineses publicaram nesta quarta-feira (22) uma série de comentários em defesa da cooperação e da estabilidade nas relações entre China e Estados Unidos, às vésperas da visita do presidente Xi Jinping ao país. A viagem, marcada para os dias 23 a 25, ocorre a convite do presidente americano, Donald Trump.

As análises destacam avanços recentes no diálogo bilateral, mas também reforçam os limites considerados inegociáveis por Pequim, especialmente em relação a Taiwan.

Expectativa de uma nova etapa

A agência estatal Xinhua afirmou esperar que a relação sino-americana entre em uma “nova jornada” sob a liderança dos dois presidentes. Segundo o texto, uma condução estável do relacionamento ajudaria a levar confiança a um cenário internacional marcado por incertezas.

A publicação retomou o encontro realizado em maio, em Pequim, quando os dois líderes teriam ressaltado a responsabilidade das grandes potências. Também questionou se China e Estados Unidos conseguirão evitar a chamada “armadilha de Tucídides”, conceito segundo o qual o confronto entre uma potência estabelecida e outra em ascensão seria inevitável.

Pequim rejeita a aplicação automática dessa tese à disputa com Washington e costuma recorrer ao conceito para defender a possibilidade de coexistência. A Xinhua classificou a ligação entre os dois países como “a relação bilateral mais importante do mundo” e afirmou que, apesar das dificuldades das últimas cinco décadas, ambos continuaram encontrando formas de avançar.

O artigo sustentou ainda que os dois países podem se desenvolver simultaneamente, conciliando o projeto chinês de “grande revitalização da nação” com o lema de Trump de “tornar a América grande novamente”.

Comércio e áreas de cooperação

Como sinal da interdependência econômica, a Xinhua informou que o comércio bilateral cresceu 13,7% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior. Até julho, mais de 84 mil empresas americanas haviam sido estabelecidas na China, segundo os números apresentados pela agência.

Em editorial, o jornal Global Times afirmou que a cooperação se ampliou desde a reunião de maio, alcançando áreas como política, diplomacia, comércio, intercâmbio entre pessoas e combate às drogas.

O veículo reconheceu, porém, que a relação continuará exposta a riscos e desafios. Para o jornal, o ponto decisivo será saber se Washington transformará em ações concretas os entendimentos alcançados pelos presidentes, administrará adequadamente as divergências e buscará soluções para problemas práticos.

Pequim projeta 2026 como ano simbólico

O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, afirmou que o novo encontro, quatro meses depois da reunião em Pequim, deverá fornecer orientação estratégica para uma relação baseada em estabilidade construtiva. A publicação descreveu 2026 como um ano potencialmente histórico e simbólico para os laços bilaterais.

O comentário também revisou as mudanças na maneira como os dois países definiram sua relação desde a fundação da República Popular da China, em 1949. Ao longo das décadas, os termos empregados passaram por ideias de hostilidade, quase aliança, parceria estratégica construtiva, parceria cooperativa, relação entre partes interessadas e um novo modelo de vínculo entre grandes potências. Nos últimos dez anos, segundo o jornal, atritos, ajustes e competição passaram a coexistir.

Taiwan aparece como principal linha vermelha

Ao mesmo tempo que defenderam a cooperação, os veículos chineses criticaram as sanções americanas contra o país. O Diário do Povo afirmou que essas medidas contrariam a tendência de estabilização e melhora das relações e refletem uma leitura equivocada tanto do modelo de desenvolvimento chinês quanto da natureza dos vínculos bilaterais.

A publicação advertiu que um confronto entre China e Estados Unidos teria consequências insustentáveis para os dois países e para o restante do mundo. O texto enumerou quatro linhas vermelhas que Pequim considera intransponíveis: Taiwan; democracia e direitos humanos; sistema político e caminho de desenvolvimento; e direito ao desenvolvimento.

Taiwan foi apontada como a questão mais importante da relação. Segundo o comentário, uma gestão adequada do tema pode preservar a estabilidade geral, enquanto uma condução equivocada poderia provocar choques ou conflitos e colocar todo o relacionamento em uma situação de alto risco.

Source: Original Korean article - Trendy News Korea

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