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Uma carreira marcada pelo cinema e por uma história extraordinária
Choi Eun-hee (1926–2018) foi uma das atrizes mais importantes da história do cinema sul-coreano. Nascida em 20 de novembro de 1926, na cidade de Gwangju, na província de Gyeonggi, estreou nos palcos em 1942, com a peça teatral Teatro da Juventude (Chuncheuk Geukjang). Sua trajetória artística atravessou décadas e foi marcada tanto pelo reconhecimento internacional quanto por um episódio dramático envolvendo seu sequestro para a Coreia do Norte.
Sucesso nas telas e reconhecimento artístico
A partir de 1947, Choi participou de numerosas produções cinematográficas. Entre seus trabalhos estão O Sol da Noite (1948), Jovens (1955), Pagode Sem Sombra (1957), Casamento Livre (1958), Uma Confissão de uma Universitária (1958) e O Hóspede do Quarto e a Mãe (1961).
Na década de 1960, também atuou em filmes como O Lenço Vermelho (1964). Nos anos 1970, continuou trabalhando no cinema e na televisão, incluindo a série Florescem as Regiões da Coreia (1974).
A atriz conquistou três vezes o prêmio de Melhor Atriz do Baeksang Film Awards? Não: do Buil Film Awards, nas edições de 1959, 1962 e 1966, por suas atuações em Flor do Inferno, O Hóspede do Quarto e a Mãe e A Guerra Sino-Japonesa e a Heroína Imperatriz Myeongseong, respectivamente.
Dois sequestros e oito anos trabalhando na Coreia do Norte
Em 1978, Choi foi sequestrada em Hong Kong por agentes norte-coreanos, em uma operação ordenada por Kim Jong-il, filho do então líder Kim Il-sung. Foi a segunda vez que a atriz foi levada à força para o Norte: durante a Guerra da Coreia, ela já havia sido sequestrada, mas conseguiu escapar e retornar ao Sul.
Seu marido, o cineasta Shin Sang-ok, viajou a Hong Kong para procurar a esposa e também acabou sequestrado em 19 de julho daquele ano. O casal permaneceu aproximadamente oito anos na Coreia do Norte, onde trabalhou na produção de filmes e participou da realização de 17 obras.
Entre os filmes norte-coreanos estrelados por Choi estão Crônica de uma Fuga (1984), A História de Sim Cheong e Sal (ambos de 1985). Mesmo durante esse período, ela recebeu reconhecimento internacional: em 1984, foi premiada no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary pelo filme O Emissário que Não Retorna. No ano seguinte, conquistou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Moscou por Sal.
A fuga pela embaixada dos Estados Unidos em Viena
Em 13 de março de 1986, durante uma estadia em Viena, na Áustria, Choi e Shin conseguiram escapar e buscaram proteção na embaixada dos Estados Unidos. Depois da fuga, viveram nos Estados Unidos por cerca de dez anos. A atriz só retornou à Coreia do Sul em 1999.
Antes de voltar definitivamente ao país, Choi ainda participou do filme Mayumi, lançado em 1990. Sua carreira e sua experiência de vida tornaram-se parte de um dos episódios mais conhecidos da história contemporânea sul-coreana, registrado como o caso do sequestro de Shin Sang-ok e Choi Eun-hee.
Últimos reconhecimentos e legado
Depois de retornar à Coreia do Sul, a atriz continuou recebendo homenagens. Em 2010, ganhou um prêmio honorário no Grande Prêmio do Cinema da Coreia (Daejong). Em 2011, recebeu o Prêmio da Academia de Artes da Coreia na categoria de teatro, cinema e dança. Em 2014, foi condecorada com a Ordem de Mérito Cultural Bogwan, uma das distinções concedidas pelo país a personalidades da cultura.
Seu filho mais velho, Shin Jung-kyun, estreou como ator de teatro em 1980, mas deixou a atuação três anos depois. Posteriormente, seguiu carreira como diretor de cinema e de musicais, assim como seu pai adotivo.
A trajetória de Choi também foi retratada na televisão: em 1995, a atriz Yang Geum-seok interpretou sua personagem na série histórica A Quarta República, da emissora MBC.
Choi Eun-hee morreu em 16 de abril de 2018, aos 93 anos, em Hwagok-dong, no distrito de Gangseo, em Seul. Sua história permanece associada à resistência pessoal, à carreira cinematográfica e a um dos episódios mais singulares envolvendo artistas e as duas Coreias.
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