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O Ministério da Saúde e Bem-Estar da Coreia do Sul anunciou, em 22 de outubro, uma fiscalização conjunta com governos locais em instituições médicas suspeitas de vender irregularmente medicamentos injetáveis para tratamento da obesidade.
A investigação foi motivada pelo aumento de casos em que clínicas teriam fornecido grandes quantidades de canetas de autoaplicação sem administrar o medicamento nos pacientes. A fiscalização será concentrada nas instituições que aparecem entre as maiores receptoras desses produtos no país.
Governo verificará aplicação e venda dos medicamentos
As autoridades vão examinar se as doses foram efetivamente aplicadas nas unidades de saúde, como ocorreu a dispensação e se foi respeitado o sistema sul-coreano de separação entre prescrição médica e fornecimento por farmácias.
Medicamentos como Wegovy e Mounjaro precisam, em princípio, ser prescritos por médicos e dispensados por farmacêuticos. Clínicas podem fornecer e aplicar diretamente a primeira dose em situações restritas, como parte da orientação ao paciente sobre o uso da caneta. Entregar apenas o produto, sem realizar a aplicação, é geralmente proibido.
O ministério ressalvou que o simples recebimento dos medicamentos por uma clínica não comprova uma irregularidade. As unidades podem manter doses para aplicações autorizadas, especialmente durante o treinamento inicial dos pacientes.
Clínicas concentram maior parte do fornecimento
Entre outubro de 2024 e julho de 2026, instituições médicas receberam 1.920.373 unidades de Wegovy, equivalentes a 62% do total distribuído. As farmácias ficaram com 1.179.849 unidades, ou 38%. Consultórios e clínicas de menor porte concentraram 88,2% do volume destinado às instituições médicas, enquanto grandes hospitais universitários e de alta complexidade responderam por 2%.
No caso do Mounjaro, entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram fornecidas 10.055.693 unidades a instituições médicas, 56% do total, e 7.951.428 a farmácias, 44%. Clínicas menores receberam 92,4% das unidades destinadas ao setor médico. Os dez consultórios com maior volume concentraram 14,5% desse fornecimento.
Infrações podem resultar em prisão e suspensão
Pela legislação farmacêutica sul-coreana, profissionais que não sejam farmacêuticos estão impedidos de preparar medicamentos, salvo nas exceções previstas. O descumprimento das regras pode levar a até um ano de prisão ou multa de até 10 milhões de won.
A primeira violação da obrigação de emitir receita médica pode resultar em suspensão profissional por 15 dias. Em caso de reincidência dentro de dois anos, a suspensão sobe para 30 dias.
O ministério informou que já encaminhou casos suspeitos para investigação e pediu aos governos locais que comuniquem os resultados das fiscalizações. Também avalia inspecionar instituições com alto volume de prescrições para adolescentes.
Após a operação, o governo pretende continuar monitorando a quantidade de injetáveis para obesidade enviada a cada instituição e reforçar a supervisão sobre possíveis violações das regras de prescrição e dispensação.
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