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A Coreia do Sul planeja lançar em 2027 um satélite capaz de capturar objetos abandonados na órbita da Terra e direcioná-los para a atmosfera, onde serão destruídos pelo calor da reentrada. O anúncio coincidiu com a circulação de imagens de destroços de um foguete chinês que caíram sobre uma plantação na Indonésia, levando o termo “lixo espacial” a ganhar destaque nas buscas sul-coreanas.
Missão será lançada pelo foguete Nuri
A Agência Aeroespacial da Coreia do Sul realizou em 26 de outubro, no Instituto de Pesquisa de Satélites do KAIST, em Daejeon, uma avaliação sobre o estágio de desenvolvimento do ADR-SAT, nome dado ao satélite de controle ativo de objetos espaciais.
A reunião analisou se os subsistemas estavam prontos para a integração e quais riscos técnicos poderiam surgir nessa etapa. Especialistas da indústria, de universidades e de centros de pesquisa participaram da avaliação. Segundo o instituto, o projeto cumpriu os critérios previstos no manual sul-coreano de engenharia de sistemas.
Com a aprovação, a montagem do modelo de voo — a unidade que efetivamente será enviada ao espaço — deve começar no mês seguinte à avaliação. O satélite está previsto para viajar na sexta missão do Nuri, o lançador espacial desenvolvido pela Coreia do Sul, em 2027.
Braços robóticos para retirar satélites de órbita
O ADR-SAT foi projetado para localizar um satélite que já encerrou suas atividades, aproximar-se dele e capturá-lo com braços robóticos e pinças. Em seguida, o equipamento reduzirá a altitude do objeto e o soltará em uma trajetória de reentrada. O atrito com a atmosfera deverá gerar calor suficiente para queimá-lo.
O conceito lembra as naves de limpeza orbital retratadas em “Nova Ordem Espacial”, filme sul-coreano de ficção científica conhecido internacionalmente pelo título “Space Sweepers”. A agência afirma que a captura e a remoção direta de detritos em órbita representam uma demonstração tecnológica de alta complexidade e poderão transformar o equipamento no primeiro satélite do mundo a realizar esse tipo de teste no espaço.
O principal candidato para a primeira operação é o Uribyol-3, satélite sul-coreano de observação da Terra lançado em 1999. A missão terminou em 2002, mas o equipamento permanece em órbita desde então.
Milhares de objetos viajam em alta velocidade
A expressão lixo espacial reúne objetos artificiais sem função que continuam ao redor da Terra. A categoria inclui satélites desativados, partes de foguetes, fragmentos produzidos por colisões ou explosões e até ferramentas perdidas por astronautas.
Estima-se que existam mais de 4.500 toneladas desses materiais em órbita. Cerca de 23 mil objetos teriam mais de 10 centímetros, enquanto entre 500 mil e 600 mil mediriam ao menos um centímetro.
Esses fragmentos podem viajar a velocidades entre 7,9 e 11,2 quilômetros por segundo. Nessas condições, até uma pequena lasca de tinta pode produzir um impacto comparável ao de um objeto de 250 quilos em velocidade de rodovia. O aumento dos lançamentos de satélites também amplia a quantidade de equipamentos que permanecem no espaço após o fim de suas missões e, consequentemente, o risco de colisões.
Destroço de foguete cai em plantação na Indonésia
O interesse pelo tema cresceu também após a queda de uma grande placa metálica queimada em uma plantação de palma para produção de óleo, na província de Kalimantan Central, na Indonésia. O objeto, com aproximadamente nove metros de comprimento, caiu na noite de 18 de outubro. Não houve feridos.
A Agência Nacional de Pesquisa e Inovação da Indonésia identificou o material como parte do foguete Zhuque-2E, lançado em 14 de outubro, no noroeste da China, pela empresa privada chinesa LandSpace.
Vídeos publicados pela emissora sul-coreana KBS ajudaram a ampliar a repercussão. Uma gravação que mostrava uma enorme bola de fogo e a queda do objeto metálico superou 272 mil visualizações no YouTube, enquanto outro conteúdo sobre o destroço, descrito como tendo o tamanho de um automóvel, passou de 96 mil acessos. Clipes relacionados também circularam na plataforma Naver.
Outros vídeos recentes retomaram episódios históricos, como o dano causado em 1983 por um fragmento de tinta de apenas 0,2 milímetro a uma janela do ônibus espacial Challenger, além de explicações sobre a tecnologia sul-coreana para agarrar satélites defeituosos.
Agência busca ampliar resposta a riscos orbitais
O chefe da agência aeroespacial, Oh Tae-seok, classificou o projeto como uma tecnologia inédita e de alta dificuldade, por exigir aproximação e captura de detritos que se deslocam rapidamente antes de conduzi-los à reentrada atmosférica.
Segundo Oh, o objetivo é desenvolver com tecnologia própria os recursos necessários para retirar de órbita objetos que ameaçam satélites considerados ativos nacionais e fortalecer a capacidade da Coreia do Sul de responder a riscos no espaço.
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