Hwang Hyeon, o intelectual que registrou a queda da Coreia e morreu em protesto contra a anexação japonesa

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Um erudito distante da burocracia
Hwang Hyeon nasceu em 11 de dezembro de 1855, em Gwangyang, na província de Jeolla, e cresceu em Gurye, no sudoeste da península coreana. Conhecido pelo nome literário Maecheon, destacou-se desde a infância pela inteligência e se tornou um dos principais intelectuais e patriotas dos últimos anos da dinastia Joseon.
Quando jovem, mudou-se para Seul para participar dos exames que selecionavam integrantes da administração estatal. Em 1883, obteve a melhor avaliação na primeira etapa de uma prova realizada durante o reinado de Gojong, mas teve sua posição rebaixada por ser originário do interior. Desiludido com a corrupção da corte, desistiu das etapas seguintes e voltou para sua região.
Hwang ainda participou de outros exames por insistência do pai e, em 1888, ficou em primeiro lugar em uma das seleções. A Coreia, porém, atravessava uma fase de forte instabilidade política, marcada por revoltas, disputas internas e crescente interferência estrangeira. Ele decidiu romper definitivamente com o meio burocrático e retornou a Gurye.
O testemunho de uma época turbulenta
Instalado em uma pequena biblioteca com cerca de 3 mil livros, Hwang dedicou-se ao estudo, à poesia, à pesquisa histórica e à formação de discípulos. Também acompanhou de forma crítica as disputas da corte. Após explosões e a descoberta de pólvora em edifícios do palácio Unhyeongung, em 1892, atribuiu à rainha Myeongseong a tentativa de atingir a família do príncipe regente Heungseon Daewongun.
A partir de 1894, diante da Revolução Camponesa Donghak, das reformas Gabo e da Guerra Sino-Japonesa, passou a registrar acontecimentos que havia presenciado ou conhecido por relatos. Desse esforço nasceram obras como “Maecheon Yarok” e “Oha Gimun”.
Organizado cronologicamente, “Maecheon Yarok” reúne informações sobre os anos finais de Joseon e é considerado uma fonte histórica de grande valor. Hwang também deixou títulos como “Maecheon Jip”, “Maecheon Sijip” e “Dongbi Giryak”, que mostram sua atuação simultânea como poeta, escritor e estudioso da história.
Protesto contra a perda da soberania
Hwang reagiu com indignação ao tratado imposto pelo Japão em novembro de 1905, que retirou da Coreia o controle de sua política externa. Ele tentou deixar o país para participar de um movimento de recuperação da soberania ao lado do escritor Kim Taek-yeong, então na China, mas o plano não se concretizou.
Em agosto de 1910, o Japão formalizou a anexação da Coreia. Hwang escreveu quatro poemas de despedida e, em 7 de setembro, 16 dias depois da assinatura do tratado, tirou a própria vida em sua casa, em Gurye, após ingerir grande quantidade de ópio. Os versos foram publicados pelo jornal “Gyeongnam Ilbo”, desencadeando um episódio de repressão conhecido na história da imprensa coreana como o caso Gyeongnam Ilbo.
Memória preservada em Gurye
Lembrado como intelectual, poeta e resistente à dominação japonesa, Hwang recebeu postumamente, em 1962, a Ordem do Mérito da Fundação Nacional na classe Independência, uma das principais condecorações sul-coreanas destinadas a participantes da luta anticolonial.
No terreno onde viveu, em Gurye, funciona o santuário Maecheonsa, que preserva seu retrato e sua placa memorial. O local também mantém um espaço dedicado a seus objetos pessoais. Seu legado permanece ligado tanto ao registro escrito de um período decisivo da história coreana quanto ao protesto extremo contra a perda da soberania nacional.
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