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Uma carreira militar em meio à instabilidade
Kim Chwi-ryeo foi um comandante do reino de Goryeo, que governou a península coreana entre os séculos X e XIV. Nascido em 1172, destacou-se durante o reinado do rei Gojong pelo combate aos remanescentes dos khitan, povo também conhecido como kitai, e pela repressão a uma rebelião na cidade fronteiriça de Uiju.
Kim pertencia a uma família ligada à administração e às forças militares. Seu pai, Kim Bu, chegou aos postos de grande general e ministro dos Ritos. Beneficiado pelo sistema que permitia o ingresso de descendentes de altos funcionários no serviço público, Kim Chwi-ryeo iniciou a carreira como oficial e avançou pelas fileiras até alcançar o posto de grande general.
Casado com uma mulher do clã Jo, teve três filhos homens — Kim Jeon, Kim Dan-byeong e Kim Sik — e uma filha, que se casou com o alto funcionário Yi Ji-wi. Dois de seus filhos morreram em combate.
O avanço dos khitan sobre Goryeo
Em 1216, grupos khitan expulsos pelo avanço mongol entraram na região noroeste de Goryeo. Lideradas por Geumsan e Geumsi, que reivindicavam o título de reis de um Estado restaurado de Liao, essas forças saquearam localidades e ameaçaram o território do reino.
A corte mobilizou três exércitos, e Kim Chwi-ryeo assumiu o comando da retaguarda. Ele participou de uma vitória inicial no noroeste, mas perdeu o filho mais velho durante os combates. Os invasores atravessaram o rio Daedong, ameaçaram a capital, Gaegyeong, e avançaram para o sul após tomar Cheorwon.
Goryeo ampliou sua formação militar para cinco exércitos, mas sofreu derrotas. Kim foi ferido e precisou retornar. Com a reorganização das tropas pelo governante militar Choe Chung-heon, ele passou a comandar a vanguarda. Apesar de novos reveses, suas forças obtiveram sucessivas vitórias, perseguiram os khitan até Jeju — uma localidade mencionada nas campanhas terrestres da época, não a ilha sul-coreana de mesmo nome — e venceram uma batalha importante em Bakdalhyeon.
Impedidos de continuar rumo ao sul, os khitan cruzaram a passagem de Daegwallyeong e seguiram em direção às áreas dos jurchen. Kim os perseguiu até a fronteira. Quando os invasores retornaram com reforços, porém, ele adoeceu e teve de voltar à capital.
O cerco de Gangdong e a rendição
Em 1218, Kim Chwi-ryeo foi nomeado general superior e recebeu novas atribuições na corte. Em outra mobilização, Jo Chung assumiu o comando principal das forças do noroeste, enquanto Kim atuou como comandante militar e segundo na hierarquia da campanha.
Pressionados pelo exército de Goryeo, os khitan refugiaram-se na fortaleza de Gangdong, a leste de Pyongyang. Tropas mongóis comandadas por Hacin e forças de Dongjin lideradas por Wanyan Ziyuan também seguiram para o local. Em 1219, os três exércitos cercaram e atacaram a fortaleza, levando os ocupantes à rendição.
Depois da batalha, Goryeo e os mongóis firmaram um pacto de fraternidade, em cerimônia da qual participaram Jo Chung e Kim Chwi-ryeo. Ao acompanhar a partida do comandante mongol, Kim recebeu uma função administrativa em Seogyeong, nome histórico de Pyongyang durante Goryeo.
Rebelião em Uiju e ascensão na corte
Mais tarde, Han Sun e Daji organizaram em Uiju uma rebelião articulada com outras fortalezas. Kim comandou a ala direita das tropas enviadas para reprimi-la e, após ser promovido no ano seguinte, liderou o exército central até concluir a operação. Também despachou subordinados para eliminar os grupos khitan restantes, contribuindo para estabilizar a fronteira norte.
O prestígio militar abriu caminho para uma sequência de cargos elevados. A partir de 1221, Kim ocupou funções nas áreas militar, financeira e administrativa. Em 1232, quando o regime militar de Choe U transferiu a capital de Gaegyeong para a ilha de Ganghwa, ele também se mudou para a nova sede do governo e tornou-se o principal ministro da corte.
Kim Chwi-ryeo morreu em Gangdo — denominação então usada para Ganghwa — em 21 de maio de 1234, aos 63 anos. Foi sepultado em 12 de julho daquele ano, na encosta oeste de Daegok-dong, no distrito de Jingang.
Legado preservado na Coreia do Sul
Relatos históricos descrevem Kim como um comandante íntegro, austero na disciplina e atento ao tratamento de seus subordinados. Também lhe atribuem o uso de estratégias inesperadas em batalha. Pelos serviços prestados contra os khitan e na repressão da revolta de Uiju, recebeu altas honrarias e, após a morte, o título póstumo de Wiyeol. Sua memória foi incorporada ao santuário do rei Gojong.
Em 1983, uma estela comemorativa foi erguida em Ganghwa. Seu túmulo está classificado como patrimônio cultural da cidade de Incheon. A trajetória do comandante também chegou à televisão sul-coreana: Kim Chwi-ryeo foi interpretado por Ahn Sung-min na série da KBS “Age of Warriors” e por Jeon Heon-tae na produção “God of War”, da MBC.
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