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Coreia fica atrás apenas da China
A Coreia do Sul registrou superávit em conta corrente de US$ 116,63 bilhões no segundo trimestre, o segundo maior entre 36 grandes economias com dados disponíveis. O país ficou atrás apenas da China, que somou US$ 193,72 bilhões no período.
Os números, divulgados com base em estatísticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) reunidas no sistema econômico do Banco da Coreia, mostram uma rápida redução da distância entre os dois países. O saldo sul-coreano equivaleu a 60,2% do resultado chinês, ante 22,7% no mesmo trimestre do ano anterior.
Pela primeira vez desde o início da série comparável, em 1996, a Coreia do Sul também superou a soma dos superávits de Alemanha e Japão. Juntos, os dois países alcançaram US$ 102,89 bilhões entre abril e junho — US$ 13,74 bilhões menos que o resultado sul-coreano.
Na comparação anual, o superávit da Coreia do Sul ficou 4,1 vezes maior. No mesmo período, os saldos da Alemanha e do Japão cresceram 11,9% e 5%, respectivamente. A vantagem coreana continuou em julho e agosto, quando o país acumulou US$ 88,19 bilhões, US$ 7,37 bilhões acima da soma dos dois concorrentes.
Semicondutores impulsionam resultado
A principal força por trás da expansão foi a indústria de semicondutores. As exportações do setor cresceram 181,6% no segundo trimestre, para US$ 113,89 bilhões. No terceiro trimestre, avançaram 218,7%, chegando a US$ 148,02 bilhões.
A alta dos preços elevou a receita obtida com o mesmo volume exportado. Diante desse desempenho, o Banco da Coreia avalia que o superávit em conta corrente deste ano deve ultrapassar sua projeção anterior de US$ 450 bilhões, com possibilidade de se aproximar de US$ 500 bilhões.
O patamar seria cerca de quatro vezes superior ao recorde anual de US$ 123,1 bilhões registrado no ano passado. Em sua edição de outubro do Panorama Econômico Mundial, o FMI estimou para a Coreia do Sul um superávit de US$ 421,95 bilhões neste ano, o segundo maior do mundo, novamente atrás da China.
O aumento projetado em relação ao ano anterior é de US$ 298,89 bilhões, o maior entre 190 países e territórios analisados. O FMI calcula ainda que o saldo corresponderá a 18,8% do Produto Interno Bruto sul-coreano, bem acima do recorde anterior de 10,1%, registrado em 1998.
Dependência de preços traz riscos
Especialistas alertam que a expansão apoiada na valorização dos chips pode não se sustentar. Uma desaceleração dos investimentos em inteligência artificial ou o aumento da oferta de memória por empresas concorrentes pode intensificar a disputa por preços.
Outro risco é a ampliação da produção própria de chips de memória pelos Estados Unidos e pela China, cenário que poderia reduzir a participação da Coreia do Sul no mercado e enfraquecer suas vendas para a China.
Entre as propostas em discussão está o uso dos recursos gerados pelo atual ciclo favorável para reestruturar empresas frágeis e elevar a competitividade industrial. O governo também prepara medidas para fortalecer o mercado interno, estimular investimentos em novos setores e aumentar a produtividade dos serviços, buscando transformar o avanço concentrado nos semicondutores em crescimento mais duradouro.
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