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O cineasta sul-coreano Yeon Sang-ho lança no dia 21, nos cinemas da Coreia do Sul, o thriller psicológico “Paraíso Perdido”. O filme acompanha uma mãe dividida entre a versão virtual do filho, recriada por inteligência artificial, e o jovem que retorna à vida real nove anos depois de desaparecer.
Entre o filho virtual e o sobrevivente
Para So-young, interpretada por Kim Hyun-joo, o filho Sun-woo estava ausente desde o desaparecimento de um ônibus que levava crianças a um acampamento escolar. Para enfrentar a perda, ela passou a encontrá-lo no programa de inteligência artificial “Crianças do Paraíso”, que recria os desaparecidos em realidade virtual. Nesse ambiente, Sun-woo continua com a aparência que tinha aos dez anos.
A rotina muda quando o rapaz, vivido por Bae Hyun-sung, reaparece vivo. Agora adulto, ele retorna com o corpo coberto de cicatrizes e um olhar inquietante. Em vez de sentir apenas alívio, So-young se vê tomada pela confusão. Mesmo com o filho no quarto ao lado, ela continua usando óculos especiais para visitar a versão infantil dele no mundo virtual.
Kim interpreta uma mulher que preserva uma aparente normalidade depois de passar anos apoiada na tecnologia, mas cuja dificuldade para aceitar a realidade surge nos olhares vazios e nas mudanças discretas de expressão. Conhecido por personagens jovens e afáveis em séries como “Our Blues” e “Uma Família Inusitada”, Bae assume desta vez um papel de atmosfera sombria, marcado por passos lentos e emoções difíceis de decifrar.
Produção enxuta e origem familiar
“Paraíso Perdido” dá continuidade à aposta de Yeon em produções de baixo orçamento. Depois de realizar “The Face” com cerca de 200 milhões de won, o diretor concluiu o novo longa com orçamento líquido de pouco mais de 500 milhões de won e apenas 14 jornadas de filmagem.
A história nasceu de um texto de três páginas escrito pela mãe do cineasta em um caderno. Yeon desenvolveu diferentes versões a partir dessa ideia. Uma delas resultou no romance “Black Inferno”, escrito por Oh Seong-eun com base em um argumento original de Yeon e Ryu Yong-jae.
Em entrevista coletiva realizada no dia 12, o diretor afirmou que queria compreender a relação entre “um filho mau” e uma mãe que o ama profundamente. Segundo ele, o roteiro foi escrito com o objetivo de investigar essa dinâmica psicológica.
Estreias em Toronto e Busan
O filme teve sua primeira exibição no 51º Festival Internacional de Cinema de Toronto, onde foi convidado para a seção Apresentação Especial. As cerca de 2.300 entradas disponíveis para quatro sessões oficiais se esgotaram assim que as reservas foram abertas. Depois, a produção foi apresentada no 31º Festival Internacional de Cinema de Busan.
Yeon disse ter ficado emocionado com a profundidade das perguntas feitas por jornalistas estrangeiros em Toronto. Após conversar com espectadores sul-coreanos em Busan, porém, afirmou ter sentido que o principal palco de sua obra continua sendo a Coreia do Sul.
Antes da estreia comercial, o diretor também apresentou “Paraíso Perdido — Universo”, série de quatro curtas produzidos com inteligência artificial generativa. As histórias abordam a tecnologia da empresa fictícia Trans Human, responsável, no longa, pelo programa “Crianças do Paraíso”, e acompanham pessoas que reencontram familiares mortos em ambientes de realidade virtual.
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