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Um intelectual no fim da dinastia Goryeo
Yi Saek, também conhecido pelo nome literário Mogeun, foi um dos principais funcionários e estudiosos dos últimos anos da dinastia Goryeo, que governou a península coreana antes da fundação de Joseon. Nascido em 1328, na atual região de Yeongdeok, ele teve papel decisivo na recuperação do ensino da Seonggyungwan, a principal instituição educacional confucionista do reino, e na difusão do neoconfucionismo.
Filho do alto funcionário Yi Gok e discípulo de Yi Je-hyeon, Yi Saek estudou a tradição filosófica associada aos pensadores chineses Cheng e Zhu. Ao lado de Jeong Mong-ju e Gil Jae, é lembrado como um dos “Três Eremitas” do fim de Goryeo, grupo identificado tanto pela produção intelectual quanto pela fidelidade à dinastia em declínio.
Depois de iniciar os estudos ainda criança, Yi Saek aprendeu poesia com Seong Chong e foi aprovado em um exame da Seonggyungwan. Em 1348, viajou para a dinastia Yuan, na China, onde ingressou na Academia Imperial e aprofundou seus conhecimentos sobre o neoconfucionismo. De volta a Goryeo após a morte do pai, passou a ensinar as doutrinas e os rituais que havia estudado no exterior. Entre seus alunos estiveram Jeong Mong-ju, Jeong Do-jeon, Yi Sung-in, Gwon Geun e Ha Ryun.
Exames públicos e propostas de reforma
Em 1352, Yi Saek apresentou ao rei Gongmin propostas para reformar a administração das terras, fortalecer a defesa, ampliar a educação e conter problemas associados ao poder das instituições budistas. No ano seguinte, ficou em primeiro lugar em exames realizados em Goryeo e, posteriormente, obteve posições de destaque nas provas imperiais da dinastia Yuan.
Na China, trabalhou em funções ligadas à academia imperial e à compilação da história oficial. Ao retornar, ocupou uma série de cargos na administração de Goryeo. Defendeu a extinção de um órgão que concentrava decisões sobre nomeações e propôs a adoção do luto confucionista de três anos, medida que chegou a ser implementada.
Durante a invasão dos Turbantes Vermelhos, em 1361, acompanhou o rei Gongmin em sua retirada para o sul. Pelo serviço prestado, recebeu uma alta distinção oficial em 1363. Nos anos seguintes, exerceu funções nas áreas de governo, historiografia, educação e administração da capital.
A retomada da Seonggyungwan
O principal legado de Yi Saek surgiu em 1367, quando acumulou a administração de Gaegyeong, capital de Goryeo, com a direção da Seonggyungwan. Ele recrutou estudiosos como Kim Gu-yong, Jeong Mong-ju e Yi Sung-in para ensinar na instituição e promoveu debates acadêmicos no Myeongnyundang, salão dedicado ao ensino confucionista.
Esse trabalho ajudou a disseminar o neoconfucionismo, também chamado de escola Cheng-Zhu, e preparou o terreno intelectual para sua consolidação durante os primeiros anos de Joseon. Ao presidir cinco processos de seleção, Yi Saek escolheu 132 candidatos para o serviço público.
Sua escola reuniu personagens que mais tarde tomariam caminhos políticos opostos. Jeong Mong-ju, Gil Jae e Yi Sung-in permaneceram associados à lealdade a Goryeo, enquanto Jeong Do-jeon, Ha Ryun, Yun So-jong e Gwon Geun participaram da construção da nova dinastia. As linhagens acadêmicas ligadas a esses discípulos se tornaram parte central do confucionismo de Joseon.
Yi Saek via o neoconfucionismo como referência para a reforma social. Embora reconhecesse o budismo como produto de seu contexto histórico e defendesse certa conciliação entre as duas tradições, também criticava abusos das instituições budistas. Entre suas propostas estava a limitação gradual do número de monges por meio de licenças oficiais.
Confronto político na mudança de dinastia
A partir da década de 1370, Yi Saek ocupou cargos ainda mais elevados, recebeu títulos honoríficos e tornou-se professor do rei U. Durante a crise de 1388 envolvendo a região de Cheollyeong, defendeu uma solução pacífica.
Depois que o general Yi Seong-gye retirou suas tropas da ilha de Wihwa, assumiu o controle político e afastou o rei U, Yi Saek apoiou, com Jo Min-su, a ascensão do rei Chang. Em missão à dinastia Ming, procurou obter reconhecimento para o novo monarca e limitar o avanço do grupo de Yi Seong-gye.
Com a vitória política dessa facção, Yi Saek foi enviado ao exílio, transferido entre diferentes localidades e preso após ser relacionado a um caso de conspiração. Também se opôs ao fim das propriedades privadas durante as discussões sobre a reforma agrária. A posição expôs uma contradição de sua trajetória: embora defendesse mudanças no sistema de terras, ele próprio pertencia a um grupo que possuía grandes extensões. Sua recusa em apoiar a troca de dinastia ainda o colocou contra antigos alunos, entre eles Jeong Do-jeon, Jo Jun e Nam Eun.
Libertado em 1391, Yi Saek voltou a receber um título, mas foi novamente expulso da corte após o assassinato de Jeong Mong-ju, em 1392. Passou por outros períodos de exílio antes de ser solto.
Já depois da fundação de Joseon, Yi Seong-gye — então rei Taejo — concedeu-lhe um novo título e tentou convencê-lo a retornar ao serviço público em 1395. Yi Saek recusou, afirmando que, como integrante da elite de uma dinastia derrotada, apenas desejava ser enterrado em sua terra natal. Morreu em 1396, durante uma viagem para Yeogang.
Obra literária e legado
A produção preservada de Yi Saek inclui as coletâneas “Mogeun Sigo” e “Mogeun Mungo”. O conjunto conhecido como “Mogeun-go”, formado por 55 volumes, reúne mais de 10 mil poemas distribuídos por 4.370 títulos, além de textos em prosa sob 244 títulos. Seus escritos são considerados fontes para o estudo da sociedade intelectual e das disputas políticas do fim de Goryeo.
Os Anais do Rei Taejo registraram Yi Saek como um homem de grande erudição, dedicado ao ensino e capaz de produzir textos precisos e sensíveis com rapidez. O intelectual Ryu Seong-ryong viria a compará-lo a Yang Biao, funcionário chinês que se recusou a servir a um novo regime.
Yi Saek foi homenageado posteriormente em academias confucionistas de Jangdan, Cheongju, Hansan e Yeonghae. Sua trajetória resume uma das contradições da transição entre Goryeo e Joseon: o mesmo professor que ajudou a formar a elite intelectual do novo reino decidiu permanecer fiel à ordem política que desaparecia.
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