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Uma mulher no centro da resistência
Yun Hui-sun, considerada a primeira mulher a liderar grupos de voluntários armados na Coreia, transformou canções, redes comunitárias e ações de apoio em instrumentos da luta contra o avanço japonês. Nascida em 11 de agosto de 1860 em uma família de estudiosos confucionistas, ela se tornou uma figura importante do movimento de independência coreano e manteve sua atuação até morrer no exílio, em 1935.
Seu local de nascimento é apontado, conforme o registro, como Seul ou o antigo condado de Yangju, na província de Gyeonggi. Em 1876, aos 16 anos, casou-se com Yu Je-won e passou a integrar uma família profundamente ligada aos chamados uibyeong, os exércitos de voluntários que se mobilizaram contra a interferência estrangeira e a ocupação japonesa. Seu sogro, Yu Hong-seok, era um dos comandantes do movimento em Chuncheon.
Canções, recursos e mobilização de mulheres
Após o assassinato da rainha Myeongseong e a imposição de medidas como a ordem de cortar os cabelos, em 1895, combatentes de Chuncheon e Gapyeong organizaram ações de resistência. Enquanto eles atuavam no campo, Yun escreveu dezenas de canções, entre elas Canção das Mulheres do Lar no Exército de Voluntários e Canção dos Soldados. As composições buscavam despertar a consciência antijaponesa, elevar o moral dos combatentes e defender que as mulheres também ocupassem posição central na defesa do país.
Quando os voluntários enfrentaram dificuldades por falta de armas, munição e alimentos, Yun ampliou sua participação. Ela mobilizou moradoras para preparar refeições, lavar roupas e atender combatentes vindos de outras regiões. Depois, arrecadou fundos entre a população, comprou latão e cobre para a fabricação de armas e projéteis e administrou uma unidade que produzia pólvora para antigos fuzis de mecha.
Yun também reuniu cerca de 30 mulheres, que prestavam apoio ao movimento e participavam de treinamentos. Embora não tenha combatido diretamente, organizou a retaguarda e usou suas canções durante os exercícios. Oito dessas composições e quatro textos de advertência sobreviveram, sendo reconhecidos como os primeiros cantos de resistência armada escritos em alfabeto coreano e como parte da poesia nacional de oposição ao domínio japonês.
Exílio e formação de novos ativistas
A resistência ganhou novo impulso depois que o Tratado de Eulsa, de 1905, reduziu a soberania coreana, e que o imperador Gojong foi forçado a deixar o trono em 1907, ano em que as Forças Armadas coreanas também foram dissolvidas. Em agosto daquele ano, Yu Hong-seok e outros líderes comandaram cerca de 600 voluntários em combates na região de Gapyeong, contando com a estrutura organizada por Yun.
Após a anexação da Coreia pelo Japão, em 1910, a família decidiu partir para a Manchúria. Yun seguiu para a região em 1911 e, no ano seguinte, passou a cultivar arroz para levantar recursos destinados à luta. Também fundou a escola Nohakdang, onde formou mais de 50 ativistas, e ensinou canções patrióticas antijaponesas a coreanos e chineses.
A vida no exílio foi marcada por perdas. Seu sogro morreu em 1913, outro importante líder da família, Yu In-seok, em janeiro de 1915, e seu marido, em outubro do mesmo ano. Quando a repressão japonesa levou ao fechamento da escola, Yun mudou sua base de atuação e colaborou com chineses na criação do Grupo de Independência de Joseon. Em 1926, ajudou a estabelecer uma unidade formada por familiares de integrantes do grupo e uma escola ligada à organização, com uma filial em Yeongneung.
Seus filhos Yu Don-sang e Yu Min-sang também participaram da luta pela independência. O primogênito, Don-sang, foi capturado pela polícia japonesa com o sogro, torturado e morto em 19 de julho de 1935. Mesmo depois de um plano de ação antijaponesa ter sido descoberto e frustrado em 1932, Yun continuou mudando suas bases e mantendo as atividades.
Legado preservado
Yun Hui-sun morreu em 1º de agosto de 1935, aos 76 anos, em Haicheng, na Manchúria. Foi enterrada na região, e seus restos mortais ainda não foram levados de volta à terra natal. Antes de morrer, deixou textos sobre sua trajetória e orientações dirigidas aos descendentes.
O reconhecimento oficial veio décadas mais tarde. Ela recebeu uma condecoração presidencial em 1983 e, em 1990, a Ordem do Mérito da Fundação Nacional, classe Patriótica, concedida postumamente pelo governo sul-coreano. Seus documentos foram reunidos na Coletânea de Canções do Exército de Voluntários de Yun Hui-sun, hoje registrada como patrimônio cultural.
Sua importância está na amplitude da atuação: Yun combinou produção cultural, arrecadação de recursos, fabricação de munição, mobilização feminina e educação política. Da retaguarda dos voluntários de Chuncheon às escolas mantidas no exílio, construiu uma forma de liderança que ampliou o papel das mulheres na resistência pela independência da Coreia.
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