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Da formação clássica ao nascimento de um cantor popular
Considerado o primeiro cantor da República da Coreia a estrear com o lançamento de um álbum após a libertação do domínio japonês, Hyun In tornou-se uma das vozes mais representativas da década de 1950. Intérprete de sucessos como “Noite de luar em Silla”, “Chuva em Gomoryeong” e “Seja forte, Geum-sun”, ele cantou as perdas, a saudade e as dificuldades que atravessaram a sociedade sul-coreana no pós-guerra.
Hyun In nasceu em 14 de dezembro de 1919, em Busan, com o nome Hyun Dong-ju. Passou parte da infância entre Yeongdo e Dongnae e teve seu primeiro contato marcante com a música no Japão, ao assistir a um recital do baixo russo Feodor Chaliapin no Hibiya Public Hall.
Inicialmente, foi a Tóquio para tentar ingressar na academia militar japonesa, mas mudou de rumo e estudou canto na Escola de Música de Tóquio, também conhecida como Escola de Música de Ueno. Contrário à decisão, seu pai suspendeu o pagamento dos estudos. Hyun In passou então a trabalhar em serviços braçais para custear a formação e integrou o coral da emissora NHK. De volta à Coreia, em 1942, trabalhou como professor de música em uma companhia de teatro musical.
Palcos na China e recomeço após a libertação
Em 1943, para escapar do recrutamento militar, Hyun In seguiu para Xangai, onde atuou em uma companhia teatral e se apresentou também em cidades como Pequim e Hangzhou. Após a derrota do Japão, foi preso em uma penitenciária secreta de Pequim e só retornou à Coreia em 1946.
De volta ao país, participou de apresentações para militares americanos e organizou um grupo especializado em tango. A carreira como cantor popular começou em 1947, por sugestão do compositor Park Si-chun. Naquele ano, ganhou projeção nos palcos e alcançou grande sucesso com “Noite de luar em Silla”, escrita por Yoo Ho e composta por Park.
O nome artístico Hyun In tinha relação com o nome japonês que fora obrigado a adotar durante a política colonial de mudança de nomes. O sobrenome Goto foi substituído por Hyun, dando origem à identidade pela qual ficaria conhecido.
Canções para um país em guerra
Antes da Guerra da Coreia, Hyun In já havia gravado músicas como “Chuva em Gomoryeong”, “Mil léguas até a terra natal” e “Lucky Seoul”. Em 1948, lançou uma versão adaptada de “Bésame Mucho”, assinada com seu nome de nascimento. No ano seguinte, protagonizou “Colina Verde”, considerado o primeiro filme musical produzido depois da libertação, e também interpretou sua canção-tema.
Ao adaptar sucessos estrangeiros, Hyun In ajudou a ampliar uma cena dominada pelo trot, gênero tradicional da música popular coreana. Em 1952, suas interpretações de repertório associado a artistas como Édith Piaf e Yves Montand contribuíram para despertar no país o interesse pela chanson francesa.
Durante a Guerra da Coreia, integrou uma unidade artística militar e realizou apresentações para as tropas. Nesse período, lançou a canção de caserna “Durma bem, companheiro”. Obras como “Seja forte, Geum-sun”, “Incenso da Índia” e “Amor em sonho” também permaneceram populares. Em Busan, então importante centro de refúgio durante o conflito, manteve uma intensa agenda de espetáculos.
Com o fim da guerra, voltou a Seul e se juntou à companhia de shows de Park Si-chun. Continuou em evidência na segunda metade dos anos 1950 com músicas como “Mambo de Nápoles” e “Noite em Bulguksa”. Seu repertório refletia as turbulências da história moderna coreana e oferecia consolo a uma população marcada pela guerra e pela pobreza.
Retorno aos palcos e reconhecimento
A trajetória de Hyun In também teve períodos difíceis. Uma companhia artística criada por ele faliu em 1959, apenas seis meses depois de iniciar as atividades. Na década seguinte, ocupou o cargo de vice-presidente da divisão de cantores da Associação Coreana de Artistas. Em 1974, mudou-se para Nova York, casou-se pela terceira vez e tentou abrir um negócio, sem alcançar bons resultados.
Ele retornou à Coreia do Sul em 1981 e voltou a aparecer regularmente em programas de televisão, entre eles o tradicional “Palco da Canção”, até 1999. Naquele ano, interrompeu as atividades devido ao agravamento do diabetes e recebeu a Ordem do Mérito Cultural da Coroa de Flores. Também foi premiado pela KBS em 1990 e recebeu uma distinção no Golden Disc em 1996.
Hyun In morreu em 13 de abril de 2002, em decorrência de complicações do diabetes. Sua importância está na ponte que construiu entre o trot e as novas formas de canto popular influenciadas pela música americana que ganhariam espaço na década de 1960. Em 2003, Busan inaugurou no distrito de Yeongdo um monumento com sua estátua e a letra de “Seja forte, Geum-sun”, preservando a memória de uma voz associada à reconstrução da Coreia do Sul.
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