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Da prisão em Seul à luta pela independência no exterior
Park Yong-man (1881–1928) foi um ativista pela modernização do Império Coreano, jornalista e militante da independência que defendeu a resistência armada contra o domínio japonês. Sua trajetória foi marcada pela criação de escolas militares para jovens coreanos nos Estados Unidos e pela organização de forças preparadas para uma futura guerra de libertação.
Nascido em 26 de agosto de 1881, em Cheorwon, na atual província de Gangwon, Park participou, em 1904, do movimento contrário à concessão de terras coreanas a interesses japoneses. Preso por sua atuação, conheceu na prisão de Hanseong outros futuros líderes do movimento independentista, entre eles Lee Seung-man, posteriormente conhecido como Syngman Rhee. Depois de libertado, trabalhou como professor antes de partir para os Estados Unidos.
Uma escola militar para formar combatentes
Após chegar a São Francisco em 1905, Park estudou em Nebraska e obteve, segundo a Enciclopédia da Cultura Nacional Coreana, diploma de bacharel em Ciência Política pelo Hastings College, em 1906. Também se envolveu na organização de trabalhadores imigrantes coreanos e em iniciativas de apoio à causa da independência.
Sua principal preocupação era preparar pessoas para uma futura guerra contra o domínio japonês. Em 1908, conseguiu aprovar uma proposta de criação de uma escola militar para coreanos durante uma reunião de representantes patrióticos no exterior. Após negociações com autoridades de Nebraska, obteve autorização para manter a instituição em funcionamento.
Em 1909, fundou a Escola Militar de Jovens Coreanos (The Young Korean Military School), em uma propriedade agrícola da comunidade coreana na cidade de Kearney, Nebraska. Os alunos recebiam treinamento militar, e a primeira turma, formada por 13 estudantes, concluiu o curso em 1912. Em 1910, a escola foi transferida para o campus do Hastings College. Park ficou responsável pela arrecadação de recursos, enquanto Kim Jang-ho assumiu a administração cotidiana.
Jornalismo, organização comunitária e o Exército Nacional da Grande Coreia
Além de organizar estruturas militares, Park utilizou a imprensa como instrumento de mobilização. Em fevereiro de 1911, tornou-se editor-chefe do jornal Shinhan Minbo, ligado à Associação Nacional dos Coreanos na América. Também publicou textos sobre mobilização militar e organização nacional, entre eles Teoria do Serviço Militar Universal (1911) e Manual do Soldado (1912).
Em 1913, assumiu a direção do jornal Shinhan Gukbo, no Havaí, cujo nome mudou para Gukminbo. Mais tarde, fundou o Taepyeongyang Sisa, em Honolulu, em 1918, e publicou o periódico Daedong, em Pequim, em 1921.
Park chegou ao Havaí em dezembro de 1912 e passou a trabalhar na organização política e comunitária dos imigrantes coreanos. Em maio de 1913, obteve das autoridades locais poderes especiais de polícia, que utilizou para estabelecer um departamento policial dentro da Associação Nacional dos Coreanos, como parte de um projeto de autogoverno comunitário.
Em dezembro daquele ano, reuniu lideranças coreanas em Honolulu para discutir a criação do Exército Nacional da Grande Coreia e de sua academia militar. O apoio de integrantes da comunidade foi significativo: propriedades agrícolas e direitos de exploração de terras foram cedidos para viabilizar o projeto.
A organização militar foi oficialmente fundada em junho de 1914, na região de Ahuimanu, em Kahaluʻu, no Havaí. A cerimônia de inauguração da academia de oficiais ocorreu em 29 de agosto do mesmo ano. Por meio de treinamento militar, o grupo reuniu mais de 130 pessoas preparadas para uma eventual guerra de independência. Park também trabalhou para ampliar a rede de apoio, enviando representantes a Vladivostok e à Coreia. Em março de 1915, foi criada em Pyongyang a Associação Nacional da Coreia, organização clandestina que funcionava como uma estrutura doméstica ligada ao movimento.
Rompimento com Syngman Rhee e divergências sobre a independência
Apesar da antiga amizade com Syngman Rhee, a relação entre os dois se deteriorou devido a diferenças estratégicas. Enquanto Rhee defendia dar prioridade à diplomacia internacional, Park acreditava que a independência só poderia ser conquistada pela unificação das forças militares e pela luta armada.
Em 1915, Park propôs unir sua escola militar à instituição administrada por Rhee, mas a iniciativa foi rejeitada. As disputas entre os dois grupos e a competição com apoiadores de Ahn Chang-ho contribuíram para dividir a comunidade coreana no Havaí e nos Estados Unidos em três facções. Em outubro de 1916, conflitos financeiros também levaram ao fechamento efetivo da seção havaiana da Associação Nacional dos Coreanos.
Park continuou atuando politicamente. Em 1917, participou da Declaração de Unidade Nacional, elaborada com figuras como Shin Gyu-sik e Cho So-ang, que incluía planos para estabelecer um governo provisório. Em 1919, fundou em Honolulu o Movimento pela Independência da Grande Coreia e publicou materiais em inglês sobre o levante de 1º de Março e a declaração de independência.
Naquele ano, foi escolhido para o cargo de ministro das Relações Exteriores tanto do Governo Provisório de Hanseong, em abril, quanto do Governo Provisório da República da Coreia, reorganizado em Xangai em setembro. Entretanto, não assumiu o posto. Sua oposição à estratégia de Rhee também o levou a se aproximar de figuras como Shin Chae-ho e Shin Suk, com quem organizou um movimento pela unificação das forças militares. Em 1923, participou da mobilização contrária à legitimidade do governo provisório durante a Assembleia Nacional de Representantes, em Xangai.
Últimos projetos, morte e reconhecimento histórico
Em 1926, Park criou em Pequim a empresa Daebon Gongsa, com o objetivo de adquirir e desenvolver terras não cultivadas na China. O projeto pretendia transformar essas propriedades em bases para o movimento independentista e gerar recursos para formar um exército. No ano seguinte, abriu a Escola Useong, em Honolulu, dedicada ao ensino da língua coreana, utilizando materiais didáticos que ele próprio havia organizado.
Em 17 de outubro de 1928, enquanto trabalhava no projeto agrícola na China, Park foi morto a tiros por Lee Hae-myeong, em Pequim. As circunstâncias de sua morte alimentaram controvérsias. Integrantes do movimento da Milícia Justa alegaram que ele havia colaborado com o Japão como informante, mas não foram encontrados documentos que comprovassem essa acusação. Syngman Rhee e Ahn Chang-ho, apesar das divergências políticas com Park, também consideravam improvável que ele tivesse colaborado com os japoneses. O jornalista Song Geon-ho, por outro lado, criticou aspectos considerados ambíguos de sua conduta.
O assassinato é frequentemente apontado como um episódio que revela as profundas divisões internas do movimento independentista coreano. Sua trajetória, durante muito tempo pouco conhecida, começou a ser recuperada no início da década de 1960. Em 1962, o governo sul-coreano concedeu-lhe postumamente a Ordem do Mérito pela Fundação Nacional, na categoria Independência. Em 1995, a distinção foi elevada à categoria Presidencial.
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