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Expansão mira demanda de inteligência artificial
A Amkor Technology Korea iniciou em 19 de outubro a ampliação de sua unidade K4 em Gwangju, no sudoeste da Coreia do Sul. O projeto prevê a construção de quatro prédios destinados às etapas de encapsulamento e testes de semicondutores, com investimento total de 3 trilhões de wones entre 2026 e 2031.
O valor representa um aumento de 2 trilhões de wones em relação ao plano original. A empresa também dobrou a previsão de contratações, de cerca de mil para aproximadamente 2 mil trabalhadores, e decidiu antecipar o cronograma diante do crescimento da procura por tecnologias avançadas de encapsulamento.
As instalações serão construídas em etapas em uma área disponível do complexo atual. Dois prédios devem ficar prontos no segundo semestre de 2027, e os outros dois, no primeiro semestre de 2028. A meta é iniciar a produção em cada fábrica assim que as obras forem concluídas.
Etapa estratégica da indústria de chips
As novas linhas fabricarão produtos de encapsulamento avançado voltados à inteligência artificial e à computação de alto desempenho, conhecida pela sigla HPC. Essa categoria inclui sistemas capazes de processar grandes volumes de dados e cálculos complexos, como centros de dados de IA e supercomputadores.
O encapsulamento avançado permite combinar e empilhar diferentes chips para melhorar o desempenho e a eficiência energética dos semicondutores. Com a aproximação dos limites físicos da miniaturização dos circuitos, essa etapa ganhou peso na disputa tecnológica global, impulsionada também pela demanda por memórias de alta largura de banda, as HBM.
Tradicionalmente classificado como pós-processamento, o trabalho de encapsular e testar chips tornou-se uma atividade de alta complexidade. A capacidade de integrar componentes com precisão é considerada cada vez mais decisiva para a competitividade no mercado de semicondutores.
Solução para tratamento de efluentes destravou projeto
A ampliação do investimento avançou depois que autoridades locais encontraram uma solução para o tratamento dos efluentes industriais. A Amkor havia solicitado capacidade adicional para processar 5,5 mil toneladas por dia, mas as duas principais estações de Gwangju estavam próximas do limite.
A primeira estação tem capacidade diária de 600 mil toneladas e já chegou ao teto operacional. A segunda, com capacidade para 120 mil toneladas por dia, funciona com taxa de utilização de 92%. A alternativa acertada pelos governos locais foi conectar o projeto a instalações públicas de tratamento de efluentes em Jangseong, incluindo estruturas das áreas industriais de Cheomdan 3 e Nano.
Um primeiro acordo previa investimento de pouco mais de 1 trilhão de wones. Após um novo pedido da companhia, as autoridades fecharam em dois dias um entendimento adicional para garantir o tratamento necessário. Em seguida, a Amkor elevou o projeto para a faixa de 3 trilhões de wones. A empresa escolheu ampliar sua operação sul-coreana após uma disputa interna por investimentos com unidades mantidas em outros países.
Primeira obra do polo de semicondutores do sudoeste
O plano da Amkor havia sido anunciado em 30 de junho, durante a apresentação da estratégia sul-coreana para desenvolver indústrias avançadas na região sudoeste. A empresa é a primeira participante do chamado megaprojeto de semicondutores da região a efetivamente iniciar as obras.
A versão inicial previa cerca de 500 bilhões de wones na primeira etapa, três novas linhas para encapsulamento e testes de chips de IA e início da produção no fim de 2027. A expansão anunciada agora aumenta o número de instalações e antecipa a execução.
A estratégia regional reúne planos estimados em 896 trilhões de wones. A Samsung Electronics pretende investir 425 trilhões de wones em duas fábricas de memória e em um centro nacional de computação para IA. A SK Hynix prevê aplicar cerca de 470 trilhões de wones em duas fábricas de memória e um centro de dados de IA com capacidade de 1 gigawatt.
As duas companhias estudam instalar quatro fábricas em áreas como o terreno que ficará disponível após a transferência do aeroporto militar de Gwangju, com a primeira produção prevista para 2030. Se esses projetos forem executados e conectados à operação da Amkor, a região poderá reunir desde a fabricação dos chips até o encapsulamento e os testes. A integração comercial entre as empresas, porém, ainda dependerá de futuros planos e contratos.
Gwangju ganha peso na operação global da Amkor
Com sede nos Estados Unidos, a Amkor Technology opera mais de 20 unidades em oito países e registrou receita de cerca de 9 trilhões de wones no ano passado. A subsidiária sul-coreana fatura mais de 5 trilhões de wones por ano e emprega aproximadamente 8,4 mil pessoas nas unidades de Songdo, Bupyeong e Gwangju.
Instalada no parque industrial avançado de Gwangju desde a década de 1990, a fábrica local tornou-se uma das principais bases produtivas do grupo e um dos maiores estabelecimentos industriais da cidade em número de funcionários.
A cerimônia de início das obras reuniu representantes do governo sul-coreano, autoridades locais, executivos da Amkor e integrantes de clientes globais, entre eles TSMC e Nvidia. Lee Min-woo, responsável pela área de crescimento industrial do Ministério do Comércio, Indústria e Energia, afirmou que o projeto marca a passagem dos investimentos em semicondutores no sudoeste do país da fase de planejamento para a execução. Segundo ele, o governo trabalhará com ministérios e administrações locais para apoiar o projeto e enfrentar entraves ao longo de sua implantação.
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