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Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou nesta quarta-feira (22), em Berlim, que considera baixa a possibilidade de excesso de oferta de chips de memória até 2029. Segundo ele, a expansão das aplicações de inteligência artificial continuará elevando a demanda por diferentes categorias desses componentes.
Em entrevista à emissora americana CNBC durante a conferência de desenvolvedores GTC Berlin, Huang disse que a procura deve crescer tanto por memórias de alta largura de banda, conhecidas pela sigla HBM, quanto por modelos de baixo consumo energético, como a LPDDR.
“Uma das grandes qualidades da memória é que sempre podemos usar mais”, afirmou. O executivo acrescentou que a Nvidia pretende continuar empregando grandes volumes desses componentes e que a HBM permanecerá em uso por vários anos.
Nvidia leva memória de celulares aos centros de dados
Huang destacou que a Nvidia foi a primeira empresa a aplicar em centros de dados a memória LPDDR, normalmente utilizada em celulares. De acordo com o executivo, a adoção permitiu alcançar eficiência energética duas vezes superior à de qualquer outro produto disponível atualmente.
A companhia pretende manter o uso da tecnologia em larga escala. O consumo de energia tornou-se um aspecto central da infraestrutura necessária para processar cargas crescentes de inteligência artificial.
China amplia capacidade e pressiona concorrentes
As declarações ocorrem após preocupações com uma possível desaceleração da demanda e um aumento excessivo da oferta terem contribuído para a queda das ações do setor na semana passada. Elon Musk, CEO da Tesla, havia afirmado que a China produzirá uma quantidade “enorme” de memória RAM em 2028.
A apresentação de uma nova arquitetura pela fabricante chinesa ChangXin Memory Technologies, a CXMT, também aumentou a apreensão de investidores, enquanto a empresa tenta reduzir a distância em relação às companhias sul-coreanas do setor.
Questionado sobre a possibilidade de utilizar produtos da CXMT ou colaborar com a companhia, Huang declarou que a Nvidia mantém uma postura aberta. Ele observou que empresas chinesas já participam de diferentes pontos das cadeias globais de fornecimento e elogiou a capacidade do país em tecnologias fundamentais e na indústria.
Na avaliação do CEO, as restrições americanas às exportações para a China acabaram acelerando o desenvolvimento local da fabricação de semicondutores e o apoio ao setor. Huang acrescentou, porém, que as empresas de tecnologia dos Estados Unidos continuam fortes e preparadas para competir.
Demanda das novas empresas de nuvem
Na Coreia do Sul, parte do mercado vinha projetando que o aumento da oferta poderia transformar o setor de memórias em um mercado saturado em 2029, encerrando o atual período de forte expansão.
Huang também defendeu empresas de infraestrutura de IA conhecidas como “neoclouds”, entre elas CoreWeave, Nebius e Iren. Segundo ele, a demanda por seus serviços cresce de forma explosiva, e a principal limitação não está na procura, mas no capital de giro. Para o executivo, a questão tende a ser resolvida porque essas companhias oferecem valor econômico relevante.
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