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Nomeação encerra vazio no comando
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, aprovou na noite do dia 15 a nomeação de Kim Ji-yong como primeiro chefe da Agência de Investigação de Crimes Graves. O órgão, conhecido pela sigla coreana Jung Su-cheong, havia iniciado suas atividades no dia 2 e passou cerca de duas semanas sem um titular.
A decisão foi anunciada pela porta-voz-chefe da Presidência, Kang Yu-jung, no mesmo dia em que o Parlamento concluiu a análise da indicação. Segundo ela, Lee formalizou a nomeação depois que o relatório da audiência de confirmação foi aprovado pelos deputados.
Criada para concentrar investigações de crimes graves, a agência é uma das principais peças da reforma do Ministério Público promovida pelo governo Lee. Kim havia sido indicado pelo ministro do Interior e Segurança, Yun Ho-jung.
Resistência atrasou processo
O presidente pretendia encaminhar rapidamente a indicação ao Parlamento, mas críticas dentro do próprio campo governista levaram a uma verificação adicional do histórico de Kim. Os opositores afirmavam que sua trajetória no Ministério Público e a proximidade atribuída ao grupo ligado ao ex-presidente Yoon Suk-yeol poderiam representar um retrocesso na reforma.
Após mais de duas semanas de apuração, a Presidência concluiu que as suspeitas levantadas contra o indicado não correspondiam aos fatos. O pedido de audiência foi enviado ao Parlamento no dia 1º, véspera da abertura da nova agência. A comissão parlamentar responsável por assuntos de administração pública realizou a audiência no dia 14 e aprovou o relatório no dia seguinte, por acordo entre governo e oposição.
O documento reuniu avaliações favoráveis e contrárias. Os defensores da nomeação destacaram a experiência de Kim na direção de órgãos do Ministério Público, seu conhecimento técnico em investigações e sua capacidade de gestão. Também afirmaram que ele explicou os fundamentos das decisões tomadas nos episódios questionados durante a audiência.
Já os parlamentares contrários citaram sua participação em uma declaração coletiva contra uma medida disciplinar envolvendo Yoon quando este comandava o Ministério Público. Também consideraram insuficientes suas explicações sobre casos controversos e questionaram sua posição diante da reorganização do sistema de Justiça criminal. Outra preocupação registrada foi a possibilidade de que um ex-promotor reproduza na nova instituição antigas práticas investigativas do Ministério Público.
Divisão no campo governista
A indicação encontrou resistência tanto no conservador Partido do Poder Popular quanto em setores do governista Partido Democrático. O Partido da Inovação da Coreia, aliado situado no campo progressista, adotou oficialmente posição contrária à nomeação.
Críticos disseram que Kim se opôs, quando era promotor, à redução dos poderes investigativos do Ministério Público e que sua escolha enfraqueceria o sentido da reforma. Outros integrantes do Partido Democrático o defenderam como um profissional disposto a agir com independência, sem se submeter ao governo de turno.
O chefe de comunicação da Presidência, Sung Ki-hong, afirmou em entrevista à rádio CBS que, embora existam diferentes opiniões, Kim respondeu satisfatoriamente às dúvidas na audiência e não apresentou falhas que inviabilizassem sua atuação. Após a nomeação, o Partido da Inovação declarou que acompanhará de perto se o novo dirigente cumprirá o compromisso de levar adiante a reforma.
Dentro do Partido Democrático, parlamentares passaram a defender o encerramento da disputa depois da aprovação do relatório. Também surgiram avaliações de que o episódio pode ampliar as divergências com o Partido da Inovação e afetar futuras negociações de aliança entre as legendas.
Nova agência ainda enfrenta problemas estruturais
Kim assume com a tarefa de consolidar uma instituição recém-criada, preservar sua independência política e formar uma estrutura especializada em investigações complexas. A prioridade imediata será organizar o quadro de pessoal e os procedimentos internos.
A agência enfrenta uma forte carência de investigadores de nível intermediário, considerados essenciais para o funcionamento cotidiano. O processo de seleção de profissionais experientes vindos da polícia, da advocacia e da contabilidade ainda não começou.
O órgão também não concluiu seu próprio sistema de informações de Justiça criminal. Além disso, faltam critérios para definir quais casos deverão ser investigados diretamente e quais poderão ser solicitados ou transferidos a outras instituições.
Especialistas ouvidos na Coreia do Sul apontaram que Kim terá de distribuir rapidamente os servidores de acordo com suas competências e apresentar resultados de investigação já no início do ano. Também ressaltaram que a prioridade do novo chefe deve ser garantir independência em relação ao governo e ao partido governista.
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